O objetivo é simples, embora audacioso: a tentativa de relatar, analisar, discutir, confrontar, criticar e respeitar tudo aquilo que permite admiração ou repulsa nos sons, nas telas, nos palcos e nos livros da vida.
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
Uma prosinha pra encerrar o ano
Fim de ano tem sempre aqueles papos de retrospectiva: gente se lembrando do que de bom aconteceu; dos principais assuntos que estiveram em pauta através do senso popular; dos fatos que mais chocaram; dos amigos e das celebridades que se foram; dos eventos que poderiam ter ocorrido mas não se passaram. É momento, enfim, de refletir – orgulhar-se daquilo que valeu a pena, aprender com o que deu errado e seguir adiante.
Dois mil e dez foi um ano difícil. Assim mesmo, por extenso. Mas, como ainda não acabou, fica aqui no gerúndio: está sendo um ano complicado, de trabalho e esperança – a mãe de todas as coisas. Copa do mundo de futebol; eleições para presidente, senadores e deputados; guerra nos morros; violência às pampas nas ruas e no trânsito; amores e desafetos; sorrisos e lágrimas; conquistas e derrotas, e muito mais, ao gosto do freguês. Os periódicos impressos e eletrônicos que o digam.
Como não cabe aqui falar de tudo o que se deu – aliás, não cabe em lugar algum: faltaria espaço e conhecimento de causa –, foquemos numa ou noutra coisinha de cunho cultural.
Os 113 aninhos de Belo Horizonte foram recentemente comemorados com show na Praça da Estação, em dia chuvoso. A mesma praça que, para muitos, virou “praia”, com calções, tangas e biquínis, em protesto pelas atitudes inacreditavelmente medíocres do atual prefeito, impingidas à área cultural. Trapalhadas colossais da Fundação Municipal de Cultura, como a tentativa de acabar com a edição deste ano do FIT – Festival Internacional de Teatro Palco e Rua, não impediram que a cidade abrigasse grandes eventos no decorrer do calendário. O Festival do Cinema Independente, o Festival Internacional de Curtas-Metragens, o Cine BH, o já citado FIT, o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, o Festival Internacional de Dança, a Feira Música Brasil, inúmeros shows bacanas e incontáveis outros eventos (muita coisa merecia ser citada, mas o espaço é limitado) abrilhantaram nossa agenda cultural. Faltou o Paul dar o ar da sua graça por aqui, mas é duro reconhecer que a cidade não dispõe de recinto para o ex-Beatle se apresentar, com o Mineirão fechadão para reformas, visando a Copa de 2014. Aliás, será esse um dos principais assuntos nos próximos três anos e meio, mesmo depois do fim do mundo, em 2012...
Em 2010, o cinema nacional viu o surgimento da mais monstruosa bilheteria e do mais agigantado público para um filme tupiniquim em território brasilis: o “Tropa de Elite 2”, do diretor e produtor José Padilha. Um mérito inegável, onde a tríade tema + investimento + publicidade funcionou como nunca. E diga-se mais: o filme do Padilha coloca em questão um assunto polêmico, que divide opiniões e que boa parte da população conhece ou desconfia: o envolvimento de políticos com a milícia dos morros e com o tráfico. Pois é, política e fatos escusos costumam dar histórias, as mais terríveis. Ao final da sessão, a percepção de quem assiste ao “Tropa de Elite 2” segue quase sempre a mesma direção: do asco e da revolta. Numa análise direta e sem delongas, um filme bastante propício para anos de eleição.
Vou ficando por aqui, senão o bicho pega. Que 2011 seja para todos repleto de realizações e, sobretudo, de amor, saúde, felicidade e paz. O resto a gente corre atrás.
Que Deus nos ilumine.
Até a próxima.
Dois mil e dez foi um ano difícil. Assim mesmo, por extenso. Mas, como ainda não acabou, fica aqui no gerúndio: está sendo um ano complicado, de trabalho e esperança – a mãe de todas as coisas. Copa do mundo de futebol; eleições para presidente, senadores e deputados; guerra nos morros; violência às pampas nas ruas e no trânsito; amores e desafetos; sorrisos e lágrimas; conquistas e derrotas, e muito mais, ao gosto do freguês. Os periódicos impressos e eletrônicos que o digam.
Como não cabe aqui falar de tudo o que se deu – aliás, não cabe em lugar algum: faltaria espaço e conhecimento de causa –, foquemos numa ou noutra coisinha de cunho cultural.
Os 113 aninhos de Belo Horizonte foram recentemente comemorados com show na Praça da Estação, em dia chuvoso. A mesma praça que, para muitos, virou “praia”, com calções, tangas e biquínis, em protesto pelas atitudes inacreditavelmente medíocres do atual prefeito, impingidas à área cultural. Trapalhadas colossais da Fundação Municipal de Cultura, como a tentativa de acabar com a edição deste ano do FIT – Festival Internacional de Teatro Palco e Rua, não impediram que a cidade abrigasse grandes eventos no decorrer do calendário. O Festival do Cinema Independente, o Festival Internacional de Curtas-Metragens, o Cine BH, o já citado FIT, o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, o Festival Internacional de Dança, a Feira Música Brasil, inúmeros shows bacanas e incontáveis outros eventos (muita coisa merecia ser citada, mas o espaço é limitado) abrilhantaram nossa agenda cultural. Faltou o Paul dar o ar da sua graça por aqui, mas é duro reconhecer que a cidade não dispõe de recinto para o ex-Beatle se apresentar, com o Mineirão fechadão para reformas, visando a Copa de 2014. Aliás, será esse um dos principais assuntos nos próximos três anos e meio, mesmo depois do fim do mundo, em 2012...
Em 2010, o cinema nacional viu o surgimento da mais monstruosa bilheteria e do mais agigantado público para um filme tupiniquim em território brasilis: o “Tropa de Elite 2”, do diretor e produtor José Padilha. Um mérito inegável, onde a tríade tema + investimento + publicidade funcionou como nunca. E diga-se mais: o filme do Padilha coloca em questão um assunto polêmico, que divide opiniões e que boa parte da população conhece ou desconfia: o envolvimento de políticos com a milícia dos morros e com o tráfico. Pois é, política e fatos escusos costumam dar histórias, as mais terríveis. Ao final da sessão, a percepção de quem assiste ao “Tropa de Elite 2” segue quase sempre a mesma direção: do asco e da revolta. Numa análise direta e sem delongas, um filme bastante propício para anos de eleição.
Vou ficando por aqui, senão o bicho pega. Que 2011 seja para todos repleto de realizações e, sobretudo, de amor, saúde, felicidade e paz. O resto a gente corre atrás.
Que Deus nos ilumine.
Até a próxima.
domingo, 5 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Encontrei por acaso este texto, que publiquei em 2008, por ocasião da final da Libertadores. Porra, nem me lembrava! Foi dolorosa a derrota naquele ano. Uma derrota épica, como dizia Nelson Rodrigues. Mas, vá lá, Nelson: estas linhas abaixo, meu caro e famoso tricolor, dedico a ti.
ELEGIA TRICOLOR
Dor no peito, respiração ofegante, coração disparado, cabeça a mil... Parecem sintomas de alguém muito enfermo. Um moribundo. Talvez não. Talvez sejam sintomas de alguém apaixonado. Ou de alguém que vive, que vibra, que reflete uma paixão. Côncava, convexa. Talvez sejam os sintomas que, em algum momento deste dia - dois de julho de dois mil e oito - sinta o torcedor tricolor. Milhões de peitos, pulmões, corações e mentes ligados por um único ideal: ocupar o degrau mais alto do futebol deste canto de cá do mundo, comumente conhecido por América do Sul. Sou verde, sou vermelho, sou branco. Sou de todas as cores do meu tricolor, sou de todas as cores da América! A 19 dias de completarmos 106 aninhos, somos hoje crianças. Garotos cuja paixão tem três cores, cujo orgulho se levanta e nos faz bater a mão ao peito com o clamor de nosso "sou tricolor de coração". É pouco, não sou tricolor de coração. Sou tricolor dos pés à cabeça!! Que nossos fernandos, gabriéis, thiagos, luízes, césares, aroucas, darios, washingtons, dodôs e cia. estejam iluminados. Que a rede adversária balance. Balance. Balance. E já basta. Que joguemos com o verde da esperança, pois quem espera e luta sempre alcança.
Saudações tricolores!
ELEGIA TRICOLOR
Dor no peito, respiração ofegante, coração disparado, cabeça a mil... Parecem sintomas de alguém muito enfermo. Um moribundo. Talvez não. Talvez sejam sintomas de alguém apaixonado. Ou de alguém que vive, que vibra, que reflete uma paixão. Côncava, convexa. Talvez sejam os sintomas que, em algum momento deste dia - dois de julho de dois mil e oito - sinta o torcedor tricolor. Milhões de peitos, pulmões, corações e mentes ligados por um único ideal: ocupar o degrau mais alto do futebol deste canto de cá do mundo, comumente conhecido por América do Sul. Sou verde, sou vermelho, sou branco. Sou de todas as cores do meu tricolor, sou de todas as cores da América! A 19 dias de completarmos 106 aninhos, somos hoje crianças. Garotos cuja paixão tem três cores, cujo orgulho se levanta e nos faz bater a mão ao peito com o clamor de nosso "sou tricolor de coração". É pouco, não sou tricolor de coração. Sou tricolor dos pés à cabeça!! Que nossos fernandos, gabriéis, thiagos, luízes, césares, aroucas, darios, washingtons, dodôs e cia. estejam iluminados. Que a rede adversária balance. Balance. Balance. E já basta. Que joguemos com o verde da esperança, pois quem espera e luta sempre alcança.
Saudações tricolores!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Palíndromos são palavras, números ou frases que se podem ler indiferentemente da esquerda para a direita e vice-versa, sempre com o mesmo sentido.
Para quem não tem o que fazer, vão aí uns palíndromos:
›› A Diva em Argel alegra-me a vida.
›› Anotaram a data da maratona.
›› Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.
›› O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro. [esse é phoda!]
Para quem não tem o que fazer, vão aí uns palíndromos:
›› A Diva em Argel alegra-me a vida.
›› Anotaram a data da maratona.
›› Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.
›› O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro. [esse é phoda!]
terça-feira, 23 de novembro de 2010
O começo do fim da magia
E eis que a saga do bruxinho Harry Potter chega em seu episódio final nos cinemas. Quer dizer, no penúltimo capítulo, pois o último livro da série foi dividido em dois filmes. A primeira parte do fim entrou em cartaz em Beagá City no dia 19 de novembro, em 33 salas. Tornou-se a maior estréia da Warner Bros. no Brasil. A película, baseada na obra literária da inglesa J. K. Rowling, levou 1 milhão e 300 mil brasileiros aos cinemas no fim de semana de estréia, assumindo o posto de filme mais visto no país em apenas três dias de exibição.
O longa-metragem, dirigido pelo também britânico David Yates e estrelado pelos jovens Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson, está em mais de 900 salas no Brasil. Nos Estados Unidos, “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” estreou em 4125 salas e registrou 24 milhões de dólares apenas com as sessões inaugurais da meia-noite.
Estatísticas impressionantes à parte, a série fílmica inspirada nos livros da escritora nascida sob o nome de Joanne Rowling merece o sucesso que vem fazendo desde o primeiro filme, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de 2001. A propósito: em 2004, a moça tornou-se, aos 39 anos, a primeira pessoa a ficar bilionária (em dólares) vendendo livros.
Tirando acusações de plágio, jogando no lixo os alfarrábios oportunistas com temas semelhantes e mandando às fogueiras os processos impetrados na justiça por puritanos imbecis que têm o despautério de afirmar que a história desperta nas crianças a curiosidade pela bruxaria (e daí se despertar?), o que essa autora inglesa conseguiu é prodigioso. O extenso enredo, dividido em sete livros, é capaz de encantar crianças, jovens e adultos. Ao falar sobre magia, bruxos, seres míticos e/ou imaginários, amizade, determinação, superação, sacrifício, luta do bem contra o mal, amadurecimento, amor, etc, etc, o universo de Harry Potter consegue tocar aquilo que a maioria das pessoas alimenta dentro de si: a fantasia. Não importa a idade, mas o sonho – que pode ser entendido como aquele desejo intenso e vivo capaz de suprir o que falta a muita gente em seus cotidianos.
Não é de hoje que a raça humana deseja viver aventuras fabulares, descobrir novas realidades, superar desafios arrebatadores. As lendas arquetípicas do Ocidente e do Oriente antigos apresentam-nos anseios similares. Parafraseando o texto inicial da série “Jornada na Estrelas” (“Star Trek”), criada por Gene Roddenberry para a tevê, de estrondoso sucesso a partir da segunda metade dos anos 1960, o que muita gente quer é “audaciosamente ir onde nenhum homem jamais esteve”. Mesmo para aqueles não muito afeitos às experiências arriscadas, ainda assim, o mundo de Harry Potter encanta e seduz por ser simplesmente “mágico”. Inconsciente coletivo, talvez.
Aos adultos, a história permite sensação de frescor, por colocar-lhes em contato com algo guardado na memória. Às crianças, dá vontade de ser aqueles garotos e garotas, com varinhas mágicas e muitos apertos, no enfrentamento de perigos. Meus filhos eram crianças quando o primeiro filme da saga foi lançado. Hoje, crescidos, são capazes de falar com propriedade sobre cada um dos filmes, o que gostaram ou não, os momentos que lhes fizeram sonhar e – por que não? – crescer. Mais fascinante ainda é perceber que o papai aqui fica tão ou mais entusiasmado que eles, para assistir à nova película.
É por isso que cá estou, escrevendo sobre algo que ainda não vi. Mas há tempo. Esperemos as filas nos cinemas diminuírem.
Até a próxima.
O longa-metragem, dirigido pelo também britânico David Yates e estrelado pelos jovens Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson, está em mais de 900 salas no Brasil. Nos Estados Unidos, “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” estreou em 4125 salas e registrou 24 milhões de dólares apenas com as sessões inaugurais da meia-noite.
Estatísticas impressionantes à parte, a série fílmica inspirada nos livros da escritora nascida sob o nome de Joanne Rowling merece o sucesso que vem fazendo desde o primeiro filme, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de 2001. A propósito: em 2004, a moça tornou-se, aos 39 anos, a primeira pessoa a ficar bilionária (em dólares) vendendo livros.
Tirando acusações de plágio, jogando no lixo os alfarrábios oportunistas com temas semelhantes e mandando às fogueiras os processos impetrados na justiça por puritanos imbecis que têm o despautério de afirmar que a história desperta nas crianças a curiosidade pela bruxaria (e daí se despertar?), o que essa autora inglesa conseguiu é prodigioso. O extenso enredo, dividido em sete livros, é capaz de encantar crianças, jovens e adultos. Ao falar sobre magia, bruxos, seres míticos e/ou imaginários, amizade, determinação, superação, sacrifício, luta do bem contra o mal, amadurecimento, amor, etc, etc, o universo de Harry Potter consegue tocar aquilo que a maioria das pessoas alimenta dentro de si: a fantasia. Não importa a idade, mas o sonho – que pode ser entendido como aquele desejo intenso e vivo capaz de suprir o que falta a muita gente em seus cotidianos.
Não é de hoje que a raça humana deseja viver aventuras fabulares, descobrir novas realidades, superar desafios arrebatadores. As lendas arquetípicas do Ocidente e do Oriente antigos apresentam-nos anseios similares. Parafraseando o texto inicial da série “Jornada na Estrelas” (“Star Trek”), criada por Gene Roddenberry para a tevê, de estrondoso sucesso a partir da segunda metade dos anos 1960, o que muita gente quer é “audaciosamente ir onde nenhum homem jamais esteve”. Mesmo para aqueles não muito afeitos às experiências arriscadas, ainda assim, o mundo de Harry Potter encanta e seduz por ser simplesmente “mágico”. Inconsciente coletivo, talvez.
Aos adultos, a história permite sensação de frescor, por colocar-lhes em contato com algo guardado na memória. Às crianças, dá vontade de ser aqueles garotos e garotas, com varinhas mágicas e muitos apertos, no enfrentamento de perigos. Meus filhos eram crianças quando o primeiro filme da saga foi lançado. Hoje, crescidos, são capazes de falar com propriedade sobre cada um dos filmes, o que gostaram ou não, os momentos que lhes fizeram sonhar e – por que não? – crescer. Mais fascinante ainda é perceber que o papai aqui fica tão ou mais entusiasmado que eles, para assistir à nova película.
É por isso que cá estou, escrevendo sobre algo que ainda não vi. Mas há tempo. Esperemos as filas nos cinemas diminuírem.
Até a próxima.
sábado, 13 de novembro de 2010
rock´n´roll
Best Company Alex Abreu Valle: vocal Ernesto Abreu Valle: guitarra Cláudio Costa Val: baixo Duarte Fonseca: bateria |
sexta-feira, 12 de novembro de 2010
Tudo ao mesmo tempo agora
Tem época em que tudo agarra. Vejam como são as coisas: vivo às vésperas do encerramento do prazo para finalizar a minha monografia de pós-graduação – que, obviamente, ainda falta a maior parte –; ando atolado de coisas no trabalho, sobretudo com uma pilha de contas sobre a mesa, que insiste em ficar me olhando feito besta; estou em plena mixagem de uma música boa à beça e a bessa (faltou modéstia aqui) e me encontro no limite para entregar esta belíssima crônica (outra total ausência de modéstia). Por isso e por tudo o que existe e o que há, neste exato momento, enfurnado me encontro num quarto de hotel em Curitiba para dar conta do recado. O motivo de estar na capital paranaense, sentindo um friozinho legal? Sim, sim, claro: neg(ócio). Deu pra entender? Explico: trabalho, mas com dose de prazer. Aí é bom, costuma ser. Mais objetivamente, cá me encontro por ocasião do Festival Internacional de Cinema Super 8 de Curitiba. Tive dois filmes aqui selecionados e pai que é pai não abandona suas crias, ainda que elas sejam feitas apenas de celulóide. E convenhamos, melhor assim que ficar cultivando celulite... Essa foi péssima, eu sei.
Pois bem. A razão da lengalenga acima obviamente diz respeito ao título desta crônica. Quando intitulamos um texto, visamos chamar a atenção daqueles que potencialmente podem dispor de um tempinho lendo-o. Quanto mais chamativo, mais leitores. Mas agora é que são elas: quanto menos a ver com o tema a ser discorrido, mais enganação. Tudo, porém, tem um propósito. Querem ver?
Vocês sabem – ou se lembram – o que é “super 8”? Seguindo o ditado daquele filósofo que diz que escrever sem ensinar é perda de tempo, façamos uma pequenina viagem histórica.
Inicialmente denominado por 8mm, formato de película inventado pela Eastman Kodak Company na primeira metade do século passado, o super 8 é um tipo de bitola que tinha como objetivo a viabilização de filmes caseiros, com baixo ou nenhum orçamento. O formato atual do super 8 (em cartucho) foi apresentado ao consumidor em abril de 1965. Desta época até fins dos anos 70, o super 8 ganhou popularidade, chamou a atenção de muita gente, que adquiriu câmera, cartuchos e projetor para filmar viagens, fazer registros familiares e criar seus pequenos enredos ficcionais e documentais, exibindo-os em casa depois de filmados. Com o surgimento do vídeo-cassete no início da década de 80, a pequena bitola cinematográfica foi, aos poucos, deixando de ser utilizada pela maioria. Mas, mesmo com as mudanças significativas do mercado audiovisual nos últimos 30 anos, novas gerações de cinegrafistas, com projetos de filmes e aplicações que não existiam nos anos 60, passaram a aceitar o filme pequeno. Muitos dos grandes cineastas e fotógrafos de hoje, que começaram suas carreiras há décadas, também passaram pelo super 8.
Espero que este rápido passeio pela história recente da imagem em movimento tenha sido para vocês agradável. Para mim, foi cinematograficamente ótimo.
Aproveito o assunto e já faço propaganda do novo filme do diretor e produtor J. J. Abrams (o mesmo da série “Lost”), que deverá ser lançado em breve. O título é sugestivo: nada mais, nada menos que “Super 8”. É esperar e conferir.
Até a próxima.
Pois bem. A razão da lengalenga acima obviamente diz respeito ao título desta crônica. Quando intitulamos um texto, visamos chamar a atenção daqueles que potencialmente podem dispor de um tempinho lendo-o. Quanto mais chamativo, mais leitores. Mas agora é que são elas: quanto menos a ver com o tema a ser discorrido, mais enganação. Tudo, porém, tem um propósito. Querem ver?
Vocês sabem – ou se lembram – o que é “super 8”? Seguindo o ditado daquele filósofo que diz que escrever sem ensinar é perda de tempo, façamos uma pequenina viagem histórica.
Inicialmente denominado por 8mm, formato de película inventado pela Eastman Kodak Company na primeira metade do século passado, o super 8 é um tipo de bitola que tinha como objetivo a viabilização de filmes caseiros, com baixo ou nenhum orçamento. O formato atual do super 8 (em cartucho) foi apresentado ao consumidor em abril de 1965. Desta época até fins dos anos 70, o super 8 ganhou popularidade, chamou a atenção de muita gente, que adquiriu câmera, cartuchos e projetor para filmar viagens, fazer registros familiares e criar seus pequenos enredos ficcionais e documentais, exibindo-os em casa depois de filmados. Com o surgimento do vídeo-cassete no início da década de 80, a pequena bitola cinematográfica foi, aos poucos, deixando de ser utilizada pela maioria. Mas, mesmo com as mudanças significativas do mercado audiovisual nos últimos 30 anos, novas gerações de cinegrafistas, com projetos de filmes e aplicações que não existiam nos anos 60, passaram a aceitar o filme pequeno. Muitos dos grandes cineastas e fotógrafos de hoje, que começaram suas carreiras há décadas, também passaram pelo super 8.
Espero que este rápido passeio pela história recente da imagem em movimento tenha sido para vocês agradável. Para mim, foi cinematograficamente ótimo.
Aproveito o assunto e já faço propaganda do novo filme do diretor e produtor J. J. Abrams (o mesmo da série “Lost”), que deverá ser lançado em breve. O título é sugestivo: nada mais, nada menos que “Super 8”. É esperar e conferir.
Até a próxima.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Mas isso não vem ao caso...
A propósito de estarmos às vésperas da eleição e, ao mesmo tempo, nada a ver com isso, refugiei-me no cinema. Meu Deus, veja como são as coisas: talvez, a breve citação textual que acabei de tecer quase organicamente ao pleito de 03 de outubro, reflita minha desesperança na maioria dos candidatos alegóricos que tenho visto desfilando por aí, nos veículos de comunicação. Faço, na verdade, pouquíssimas exceções no tocante a bons “politicáveis” (candidatos a políticos, como é de se supor o sentido do termo aqui forjado). Mas não cito nomes, porque acho que belas crônicas não devem propagandear esse ou aquele cidadão, ainda que possam estar imbuídos de boas intenções.
Voltemos ao cinema sem delongas. Onde parei? Certo, certo, no ato de refugiar-me numa sala de exibição. É isso? Sim, sim. Pois então, eis que dois eventos sensacionais aconteceram recentemente em Belo Horizonte, um grudado no rabo do outro. Mal se finalizou o “Indie.10” – Mostra do Cinema Independente, em seu décimo ano de existência, iniciou-se o “Imagem dos Povos” – VI Mostra Internacional Audiovisual. Em ambos os casos, filmes excelentes na programação, oriundos de diversos países, que sintetizaram uma extensa gama de possibilidades estéticas e narrativas para o cinema contemporâneo.
Embora o argumento destas linhas seja a sétima arte, a razão de ser de todos estes caracteres passa longe disso. Reside num diálogo, que me veio à lembrança e que é digno de figurar num roteiro cinematográfico. Acho que a história foi assim:
Uma bela mulher estava sozinha numa mesa de bar. Pode ser que fosse em Santa Tereza, mas nada posso garantir quanto a isso. O fato é que a beldade ali estava, tecendo suas elucubrações. Talvez até pensasse naquele motorista de ônibus por quem se apaixonara no dia anterior. Quanto a isso, também nada comprovo. Atesto, apenas, que um sujeito aproximou-se da moçoila, quebrando-lhe o silêncio interior.
SUJEITO – Não quero importunar, mas qual o seu nome?
MOÇA – E pra que quer saber?
SUJEITO – Ora, as belas coisas da vida merecem ser conhecidas.
MOÇA – Que cantada barata!
SUJEITO – Melhor assim. Pra certas coisas, não há preço mesmo.
MOÇA – Que horror!
SUJEITO – Me diz o seu nome, vai.
MOÇA – Não tô a fim. Por que você não vai cantar em outro terreiro, hein?
SUJEITO – Não existe por perto outro que valha a pena.
MOÇA – Então finja que eu não tô aqui.
SUJEITO – Mas eu sou um péssimo ator...
MOÇA – Será que você não percebe que tá sendo inconveniente?
SUJEITO – Eu só gostaria de saber o seu nome.
MOÇA – Ângela. Pronto, falei! Agora vai embora.
SUJEITO – Certo, eu vou. Mas antes, Ângela, você poderia me dar um cigarro?
A moça lhe entregou o cigarro e o sujeito foi-se mais que depressa. Conclusão: para toda demonstração de interesse há sempre uma intenção escondida.
É isso! Está aqui porque me lembrei da política.
Voltemos ao cinema sem delongas. Onde parei? Certo, certo, no ato de refugiar-me numa sala de exibição. É isso? Sim, sim. Pois então, eis que dois eventos sensacionais aconteceram recentemente em Belo Horizonte, um grudado no rabo do outro. Mal se finalizou o “Indie.10” – Mostra do Cinema Independente, em seu décimo ano de existência, iniciou-se o “Imagem dos Povos” – VI Mostra Internacional Audiovisual. Em ambos os casos, filmes excelentes na programação, oriundos de diversos países, que sintetizaram uma extensa gama de possibilidades estéticas e narrativas para o cinema contemporâneo.
Embora o argumento destas linhas seja a sétima arte, a razão de ser de todos estes caracteres passa longe disso. Reside num diálogo, que me veio à lembrança e que é digno de figurar num roteiro cinematográfico. Acho que a história foi assim:
Uma bela mulher estava sozinha numa mesa de bar. Pode ser que fosse em Santa Tereza, mas nada posso garantir quanto a isso. O fato é que a beldade ali estava, tecendo suas elucubrações. Talvez até pensasse naquele motorista de ônibus por quem se apaixonara no dia anterior. Quanto a isso, também nada comprovo. Atesto, apenas, que um sujeito aproximou-se da moçoila, quebrando-lhe o silêncio interior.
SUJEITO – Não quero importunar, mas qual o seu nome?
MOÇA – E pra que quer saber?
SUJEITO – Ora, as belas coisas da vida merecem ser conhecidas.
MOÇA – Que cantada barata!
SUJEITO – Melhor assim. Pra certas coisas, não há preço mesmo.
MOÇA – Que horror!
SUJEITO – Me diz o seu nome, vai.
MOÇA – Não tô a fim. Por que você não vai cantar em outro terreiro, hein?
SUJEITO – Não existe por perto outro que valha a pena.
MOÇA – Então finja que eu não tô aqui.
SUJEITO – Mas eu sou um péssimo ator...
MOÇA – Será que você não percebe que tá sendo inconveniente?
SUJEITO – Eu só gostaria de saber o seu nome.
MOÇA – Ângela. Pronto, falei! Agora vai embora.
SUJEITO – Certo, eu vou. Mas antes, Ângela, você poderia me dar um cigarro?
A moça lhe entregou o cigarro e o sujeito foi-se mais que depressa. Conclusão: para toda demonstração de interesse há sempre uma intenção escondida.
É isso! Está aqui porque me lembrei da política.
domingo, 12 de setembro de 2010
A cura
"Ao mesmo tempo que a revolução social e econômica é indispensável, esperamos todos uma revolução da consciência que nos permitirá curar a vida" [Antonin Artaud]
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
é...a.s.s.i.m.
que história é essa?
o que acontece
quando a gente bate o olho e se interessa
instantaneamente por alguém?
química, alquímica, metafísica?
trama do acaso?
coisa de cinema?
.........................no cinema.
e agora?
agora, um par de dias pensando.
........deixa passar,
........deixa rolar.
ver se chega a hora.
.
ou não.
........nunca?
.........................sempre!
terça-feira, 7 de setembro de 2010
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Eu tive um sonho...
Esta noite eu tive um sonho. Puramente real. Acordei com a sensação de que a realidade era uma mentira. Na verdade, ao despertar, pensei que ainda estivesse dormindo.
Se você assistiu “A Origem” (“Inception”, EUA, 2010), do roteirista, diretor e produtor inglês Christopher Nolan (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “O Grande Truque”, “Batman Begins”, “Amnésia”) irá perceber que o primeiro parágrafo diz muito sobre o filme. Se ainda não assistiu, não perca mais tempo dormindo: acorde e corra para o cinema!
“A Origem” é, seguramente, um dos melhores lançamentos cinematográficos do ano. Ainda que o roteiro parta de um argumento mirabolante – sobre o qual Nolan não explica as entrelinhas de sua inspiração –, o diretor consegue, como poucos, manter o espectador grudado na tela. Se você piscar o olho, já era: algo interessantíssimo foi perdido. É bem provável que o efeito hipnótico do filme seja obtido exatamente pelo que o enredo traz de estranheza, num emaranho de informações estonteantes.
A película fala de um assunto recorrente na obra do jovem diretor inglês: a obsessão. De uma maneira ou de outra, suas histórias sempre perpassam o tema. Desta vez, a questão se implanta, se fortifica e se define através dos sonhos.
Leonardo DiCaprio, excelente como sempre, é o líder de um grupo especializado em invadir os sonhos alheios, roubando-lhes segredos. Mas a empreitada se revela perigosa, quando o bando é contratado para executar algo que supostamente ainda não havia sido feito. Para complicar as coisas, há também o fato de que DiCaprio tem um segredo. Algo aprisionado em seu subconsciente, que precisa se libertar e que pode colocar em risco toda a sua equipe.
Indo além do efeito espetacular alcançado pela mise-en-scène genial de Christopher Nolan, o filme discute uma questão milenar que ainda hoje não apresenta resposta definitiva: o que são os sonhos? Eles têm poder transformador? Eles são capazes de definir os valores, os desejos, a vida de uma pessoa? Eles podem mudar o destino? Aliás, existe destino?
O filme não pretende trazer respostas a quem o assiste, mas o princípio é lançado: pensamento, palavras e ações. É essa a tríade – não necessariamente nesta ordem – que define, transforma e redefine o ser humano. Não há outro caminho para o homem e para aquilo que cada um deseja a si mesmo e aos outros. Assim, o final da história pode não ser idêntico a cada espectador – ou, pelo menos, a sensação que ele proporciona.
Se você é daquele tipo que às vezes acorda achando o sonho muito mais real que a realidade, e o real bem mais onírico que o sonho, talvez encontre em “A Origem” algo que lhe ajude a (in)compreender minimamente algumas perguntas sem resposta. Também é bem provável que nada encontre e, embora o ceticismo possa a isso levar, você, ainda assim, terá a chance de sair do cinema achando a vida um enorme, complexo e maravilhoso sonho.
Até a próxima.
Se você assistiu “A Origem” (“Inception”, EUA, 2010), do roteirista, diretor e produtor inglês Christopher Nolan (“Batman – O Cavaleiro das Trevas”, “O Grande Truque”, “Batman Begins”, “Amnésia”) irá perceber que o primeiro parágrafo diz muito sobre o filme. Se ainda não assistiu, não perca mais tempo dormindo: acorde e corra para o cinema!
“A Origem” é, seguramente, um dos melhores lançamentos cinematográficos do ano. Ainda que o roteiro parta de um argumento mirabolante – sobre o qual Nolan não explica as entrelinhas de sua inspiração –, o diretor consegue, como poucos, manter o espectador grudado na tela. Se você piscar o olho, já era: algo interessantíssimo foi perdido. É bem provável que o efeito hipnótico do filme seja obtido exatamente pelo que o enredo traz de estranheza, num emaranho de informações estonteantes.
A película fala de um assunto recorrente na obra do jovem diretor inglês: a obsessão. De uma maneira ou de outra, suas histórias sempre perpassam o tema. Desta vez, a questão se implanta, se fortifica e se define através dos sonhos.
Leonardo DiCaprio, excelente como sempre, é o líder de um grupo especializado em invadir os sonhos alheios, roubando-lhes segredos. Mas a empreitada se revela perigosa, quando o bando é contratado para executar algo que supostamente ainda não havia sido feito. Para complicar as coisas, há também o fato de que DiCaprio tem um segredo. Algo aprisionado em seu subconsciente, que precisa se libertar e que pode colocar em risco toda a sua equipe.
Indo além do efeito espetacular alcançado pela mise-en-scène genial de Christopher Nolan, o filme discute uma questão milenar que ainda hoje não apresenta resposta definitiva: o que são os sonhos? Eles têm poder transformador? Eles são capazes de definir os valores, os desejos, a vida de uma pessoa? Eles podem mudar o destino? Aliás, existe destino?
O filme não pretende trazer respostas a quem o assiste, mas o princípio é lançado: pensamento, palavras e ações. É essa a tríade – não necessariamente nesta ordem – que define, transforma e redefine o ser humano. Não há outro caminho para o homem e para aquilo que cada um deseja a si mesmo e aos outros. Assim, o final da história pode não ser idêntico a cada espectador – ou, pelo menos, a sensação que ele proporciona.
Se você é daquele tipo que às vezes acorda achando o sonho muito mais real que a realidade, e o real bem mais onírico que o sonho, talvez encontre em “A Origem” algo que lhe ajude a (in)compreender minimamente algumas perguntas sem resposta. Também é bem provável que nada encontre e, embora o ceticismo possa a isso levar, você, ainda assim, terá a chance de sair do cinema achando a vida um enorme, complexo e maravilhoso sonho.
Até a próxima.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Vai uma mordidinha aí?
Os gaúchos Kleiton e Kledir Ramil já diziam na “Canção da meia-noite”: “um vampiro, um lobisomem, um saci-pererê”. Segundo eles mesmos, uma música anormal, recheada de seres noturnos, decantados em harmonia, ritmo e melodia.
Devíamos ter ficado com eles. Mas não, tínhamos que ir adiante. Precisávamos ir ao cinema. E agora? Pois é, lá fomos ver “Eclipse”... Bem feito! Quem mandou?
“Eclipse” é o terceiro filme saga “Twilight”, adaptado do livro honômino de Stephenie Meyer e dirigido por David Slade, um jovem britânico diretor de vídeo clipes. Sorte do saci-pererê, que ficou fora da história. Para o vampiro e o lobisomem, coitados, um terror! E para o público, a mesma coisa: horror! Não no sentido de gênero fílmico, mas no tocante a ser ruim mesmo.
O filme é daqueles que só agrada a garotada, devido a seu romancezinho rocambolesco, cujas peripécias amorosas do triângulo protagonista acaba, para nós, virando um grande pé no saco.
Vamos aos fatos: Edward Cullen é o vampiro vegetariano bonzinho de cabelo penteadíssimo, que anda durante o dia, acompanhado de toda a família Cullen. O cara é apaixonado pela jovem Bella, mas é “das antigas”: só quer saber de transar com a moça humana, ainda virgem (!!), depois de casar-se com ela – leia-se transformá-la em vampirazinha. A rapariga, por sua vez, está doidinha querendo. Pra complicar, seu amigo de infância, Jacob Black, um jovem lobisomem que passa quase todo o tempo de dorso nu, exibindo seus músculos acadêmicos, também está enamoradíssimo por ela. Obviamente, a beldade se vê dividida: o vampiro casto, ariano, educado, de sangue literalmente frio (ora, o sujeito é um morto-vivo, pombas!) ou o homem-lobo, nervosinho, bronzeado e halterofilista?
Pronto. Temos aqui quase toda a história. O filme fica rigorosamente nisso. Um porre dos infernos. Há ainda uns vampiros malvados, liderados por uma chupa-sangue maluca e vingativa, mas nem vale a pena aprofundar nisso aí.
O problema de uma historieta como “Eclipse” não é a invenção mirabolante. Recriar, reescrever, recontar algo que já existe pode ser bacana. A questão aqui vem bem antes disso, uma vez que os paradigmas são pessimamente reconfigurados. Vampiros e lobisomens são seres solitários por natureza. Os homens-lobo quase nunca podem ter amantes, pois, a cada lua cheia, metamorfoseiam-se, colocando em risco a vida da própria amada. Para os vampiros, a realidade é ainda pior: obrigados a viver eternamente apenas durante a noite, vivem, portanto, "meia-eternidade". São predadores, forçados a chupar sangue para se manterem vivos. Temos aqui aquilo que podemos chamar de maldição: a imortalidade ao preço da impossibilidade do amor e da convivência coletiva.
A busca pela juventude eterna é coisa alquímica. A questão “renovação do sangue pelo assassinato em troca de vida muita longa” traz à baila questões filosóficas e até mesmo fisiológicas. Será possível? Mas o preço a se pagar não é alto demais?
Recontar histórias, cujas lendas remontam ao antigo Egito, ou advindas de qualquer época e local, pode mesmo soar interessantíssimo. Mas colocar vampiros de purpurina, caminhando de dia, comendo vegetais, vivendo amores intensos e sendo caras muito legais, faz com que o negócio deixe de ser maldição e se torne uma benção. Agora eles são anjos. Aí fica fácil, qualquer um topa a parada. Eu mesmo fiquei doido pra virar um morto-vivo. Há vampiras de plantão por aí a fim de me dar uma mordidinha?
Devíamos ter ficado com eles. Mas não, tínhamos que ir adiante. Precisávamos ir ao cinema. E agora? Pois é, lá fomos ver “Eclipse”... Bem feito! Quem mandou?
“Eclipse” é o terceiro filme saga “Twilight”, adaptado do livro honômino de Stephenie Meyer e dirigido por David Slade, um jovem britânico diretor de vídeo clipes. Sorte do saci-pererê, que ficou fora da história. Para o vampiro e o lobisomem, coitados, um terror! E para o público, a mesma coisa: horror! Não no sentido de gênero fílmico, mas no tocante a ser ruim mesmo.
O filme é daqueles que só agrada a garotada, devido a seu romancezinho rocambolesco, cujas peripécias amorosas do triângulo protagonista acaba, para nós, virando um grande pé no saco.
Vamos aos fatos: Edward Cullen é o vampiro vegetariano bonzinho de cabelo penteadíssimo, que anda durante o dia, acompanhado de toda a família Cullen. O cara é apaixonado pela jovem Bella, mas é “das antigas”: só quer saber de transar com a moça humana, ainda virgem (!!), depois de casar-se com ela – leia-se transformá-la em vampirazinha. A rapariga, por sua vez, está doidinha querendo. Pra complicar, seu amigo de infância, Jacob Black, um jovem lobisomem que passa quase todo o tempo de dorso nu, exibindo seus músculos acadêmicos, também está enamoradíssimo por ela. Obviamente, a beldade se vê dividida: o vampiro casto, ariano, educado, de sangue literalmente frio (ora, o sujeito é um morto-vivo, pombas!) ou o homem-lobo, nervosinho, bronzeado e halterofilista?
Pronto. Temos aqui quase toda a história. O filme fica rigorosamente nisso. Um porre dos infernos. Há ainda uns vampiros malvados, liderados por uma chupa-sangue maluca e vingativa, mas nem vale a pena aprofundar nisso aí.
O problema de uma historieta como “Eclipse” não é a invenção mirabolante. Recriar, reescrever, recontar algo que já existe pode ser bacana. A questão aqui vem bem antes disso, uma vez que os paradigmas são pessimamente reconfigurados. Vampiros e lobisomens são seres solitários por natureza. Os homens-lobo quase nunca podem ter amantes, pois, a cada lua cheia, metamorfoseiam-se, colocando em risco a vida da própria amada. Para os vampiros, a realidade é ainda pior: obrigados a viver eternamente apenas durante a noite, vivem, portanto, "meia-eternidade". São predadores, forçados a chupar sangue para se manterem vivos. Temos aqui aquilo que podemos chamar de maldição: a imortalidade ao preço da impossibilidade do amor e da convivência coletiva.
A busca pela juventude eterna é coisa alquímica. A questão “renovação do sangue pelo assassinato em troca de vida muita longa” traz à baila questões filosóficas e até mesmo fisiológicas. Será possível? Mas o preço a se pagar não é alto demais?
Recontar histórias, cujas lendas remontam ao antigo Egito, ou advindas de qualquer época e local, pode mesmo soar interessantíssimo. Mas colocar vampiros de purpurina, caminhando de dia, comendo vegetais, vivendo amores intensos e sendo caras muito legais, faz com que o negócio deixe de ser maldição e se torne uma benção. Agora eles são anjos. Aí fica fácil, qualquer um topa a parada. Eu mesmo fiquei doido pra virar um morto-vivo. Há vampiras de plantão por aí a fim de me dar uma mordidinha?
quinta-feira, 1 de julho de 2010
fragmento da carta enviada ontem aos amigos do meio audiovisual de campo grande:
Pensar, falar, criar, filmar!! Produzir. E aí me ponho a divagar que o audiovisual é uma tradução do real sob a ótica de uma lente enquadrada, angulada, movimentada e que sem esta lente o mundo perderia um pouco a sua perspectiva de questionar o factual e o imaginário e que entre erros e acertos o que importa é a vontade e a necessidade de construir algo lúdico e concreto e que a vida é um filme que cabe a cada um de nós construir o seu roteiro e criar o final e que depois podemos nos sentar em um bar e discutir como poderão ser as cenas de nosso cotidiano na filmagem do dia seguinte... Ufa! Descendo a ladeira... Mas, deu pra entender, né?
Pensar, falar, criar, filmar!! Produzir. E aí me ponho a divagar que o audiovisual é uma tradução do real sob a ótica de uma lente enquadrada, angulada, movimentada e que sem esta lente o mundo perderia um pouco a sua perspectiva de questionar o factual e o imaginário e que entre erros e acertos o que importa é a vontade e a necessidade de construir algo lúdico e concreto e que a vida é um filme que cabe a cada um de nós construir o seu roteiro e criar o final e que depois podemos nos sentar em um bar e discutir como poderão ser as cenas de nosso cotidiano na filmagem do dia seguinte... Ufa! Descendo a ladeira... Mas, deu pra entender, né?
quarta-feira, 30 de junho de 2010
a-m-a-o-c-s-d-o-e-d-a-m-f-d-d
a madrugada alimenta os corpos sedentos de orvalho e desmorona as mentes famintas de desejo
. .. ... .... ..... -
t.e.n.h.o.f.é.
t..e..n..h..o..f..o..m..e..
t...e...n...h...o...d...o...r...
t....e....n....h....o....t....e....s....ã....o....
t.....e.....n.....h.....o.....t.....u.....d.....o.....q.....u.....e.....e.....u.....q.....u.....i.....s.....e.....r......
e-n-a-d-a-a-p-e-r-d-e-r
t..e..n..h..o..f..o..m..e..
t...e...n...h...o...d...o...r...
t....e....n....h....o....t....e....s....ã....o....
t.....e.....n.....h.....o.....t.....u.....d.....o.....q.....u.....e.....e.....u.....q.....u.....i.....s.....e.....r......
e-n-a-d-a-a-p-e-r-d-e-r
domingo, 13 de junho de 2010
Enfeite
De uma vez por todas: não posso ver mulher com aquele pequeno enfeite no cabelo, de ladinho. Acho lindo. Feminino.
Mulher!
Uma borboleta, uma flor. Meu Deus!
Eu que só a pouco havia me dado conta, percebo a cada dia o quanto gosto e o quanto me encanta e o quanto me assusto quando vejo e penso que não é por acaso e que agora sei que as coisas não são como queremos, mas como são. Simplesmente são.
Olho para as minhas mãos e penso o quanto seria bom se elas pudessem colocar em teu cabelo outro enfeite.
Ou menos, apenas dar-te de presente uma pequenina borboleta ou uma flor vermelha.
De pano ou do que seja.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
definitivamente, para você...
Definitivamente eu gosto de falar e de me encontrar com você.
É quase como admirar uma cena bizantina e contemplar em seguida a Capela Sistina.
Uma explosão dos sentidos.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Filme de protesto
Dois amigos se encontram num bar. O primeiro, já sentado à mesa, está relaxado como quem parece satisfeito com a vida. O segundo, que acaba de chegar, demonstra-se revoltadíssimo, com ânsia de protestar. Uma câmera acompanha de perto o amigo que chega.
_ Que cara é essa, meu?
_ Ah, velho, tô puto!
_ Puto com o que?
_ Sei lá. Só sei que tem coisas que me incomodam.
_ A mim também.
Pequena pausa.
_ Tô fazendo um filme de protesto.
_ Quando?
_ Agora. Olha a câmera aí.
O amigo 1 olha para frente, para os lados e não vê a câmera, que se encontra rodeando a mesa.
_ Tá vendo não?
_ Não.
_ Essa é boa. Ele não vê a câmera. Então, ninguém vê. Uma câmera invisível... É, tô fazendo um filme mesmo. De ficção.
O amigo 1 observa o amigo 2 com estranheza, como se este estivesse louco.
_ Cara, tá tudo bem com você?
_ É claro. Tá bebendo o que?
O amigo 1 mostra-lhe a garrafa de cerveja, como se a pergunta tivesse sido o máximo em obviedade. O amigo 2 se dá conta.
_ É, tem razão. Idiota demais a pergunta. Moça, me traz um copo, por favor.
Uma mulher aproxima-se imediatamente, como se já estivesse a postos, trazendo um copo lagoinha vazio e outro cheio com algo de beber. O amigo 1 se espanta.
_ Uau, que rapidez!
_ Ela é atriz, contratada para fazer meu filme. Tava fora do quadro, esperando a deixa. Senta aí, moça.
A mulher senta-se. O amigo 1 aprova e sussurra:
_ Gata.
O amigo 2 faz que não ouviu e indaga a moça:
_ Escuta, tá sabendo que vai ter cena de beijo, né?
_ Estou.
_ E isso te incomoda?
_Depende. Se houver um motivo, não vejo problema. Se for coisa gratuita, acho bobagem.
_ Tem razão. Se bem que, em filme de protesto, tem beijo?
A mulher assusta-se:
_ Seu filme é protesto?
_ Você não sabia?
_ Não, olha só, escuta: se seu filme é protesto, eu tô fora.
_ Mas, por que?
_ Por acaso vocês sabem o que é um protesto? Quer dizer, um protesto mesmo, que valha a pena ser dito por alguém e escutado por outrem?
Os dois homens fazem cara de que não estão compreendendo. A mulher prossegue:
_ Caras, protesto é quando você não concorda com alguma coisa e age contra isso.
_ Mas isso todo mundo sabe – retruca o amigo 2.
_ Sabe nada! Pouca gente se importa com as coisas que hoje são dignas de protesto. Um filme de protesto acaba sendo assistido por uma parcela mínima da população. E isso é culpa de quem? Do espectador ou daquele que fez o filme? Hein?
O amigo 1 parece ter a resposta:
_ Do distribuidor.
_ Do exibidor – completa o amigo 2.
_ Da conjuntura sócio-cultural-político-econômica – arremata o amigo 1.
_ É, o problema pode estar nisso tudo também. Mas o fato que é um filme de protesto tem que ter conteúdo. Tem que valer a pena produzi-lo, distribuí-lo, exibi-lo e assisti-lo – argumenta a mulher.
_ Mas um filme de protesto é fundamental! É por isso que tô fazendo um – afirma orgulhoso o amigo 2.
_ Ótimo. Faça-o. Mas em protesto, eu não quero participar dele.
_ Mas...
A mulher levanta-se:
_ De qualquer maneira, valeu o convite. Boa sorte.
_ E a cena de beijo? – indaga o amigo 2.
_ Vocês dois podem fazê-la. Vai ficar ótimo.
A mulher sai. Os homens entreolham-se, estupefatos. O amigo 1 matuta:
_ Será?
O amigo 2 espanta-se:
_ Sai fora, cara! Olha a ideia do sujeito... Quer saber: cansei. Em protesto, também eu desisto. Corta!
E assim, acaba a história. Até a próxima.
_ Que cara é essa, meu?
_ Ah, velho, tô puto!
_ Puto com o que?
_ Sei lá. Só sei que tem coisas que me incomodam.
_ A mim também.
Pequena pausa.
_ Tô fazendo um filme de protesto.
_ Quando?
_ Agora. Olha a câmera aí.
O amigo 1 olha para frente, para os lados e não vê a câmera, que se encontra rodeando a mesa.
_ Tá vendo não?
_ Não.
_ Essa é boa. Ele não vê a câmera. Então, ninguém vê. Uma câmera invisível... É, tô fazendo um filme mesmo. De ficção.
O amigo 1 observa o amigo 2 com estranheza, como se este estivesse louco.
_ Cara, tá tudo bem com você?
_ É claro. Tá bebendo o que?
O amigo 1 mostra-lhe a garrafa de cerveja, como se a pergunta tivesse sido o máximo em obviedade. O amigo 2 se dá conta.
_ É, tem razão. Idiota demais a pergunta. Moça, me traz um copo, por favor.
Uma mulher aproxima-se imediatamente, como se já estivesse a postos, trazendo um copo lagoinha vazio e outro cheio com algo de beber. O amigo 1 se espanta.
_ Uau, que rapidez!
_ Ela é atriz, contratada para fazer meu filme. Tava fora do quadro, esperando a deixa. Senta aí, moça.
A mulher senta-se. O amigo 1 aprova e sussurra:
_ Gata.
O amigo 2 faz que não ouviu e indaga a moça:
_ Escuta, tá sabendo que vai ter cena de beijo, né?
_ Estou.
_ E isso te incomoda?
_Depende. Se houver um motivo, não vejo problema. Se for coisa gratuita, acho bobagem.
_ Tem razão. Se bem que, em filme de protesto, tem beijo?
A mulher assusta-se:
_ Seu filme é protesto?
_ Você não sabia?
_ Não, olha só, escuta: se seu filme é protesto, eu tô fora.
_ Mas, por que?
_ Por acaso vocês sabem o que é um protesto? Quer dizer, um protesto mesmo, que valha a pena ser dito por alguém e escutado por outrem?
Os dois homens fazem cara de que não estão compreendendo. A mulher prossegue:
_ Caras, protesto é quando você não concorda com alguma coisa e age contra isso.
_ Mas isso todo mundo sabe – retruca o amigo 2.
_ Sabe nada! Pouca gente se importa com as coisas que hoje são dignas de protesto. Um filme de protesto acaba sendo assistido por uma parcela mínima da população. E isso é culpa de quem? Do espectador ou daquele que fez o filme? Hein?
O amigo 1 parece ter a resposta:
_ Do distribuidor.
_ Do exibidor – completa o amigo 2.
_ Da conjuntura sócio-cultural-político-econômica – arremata o amigo 1.
_ É, o problema pode estar nisso tudo também. Mas o fato que é um filme de protesto tem que ter conteúdo. Tem que valer a pena produzi-lo, distribuí-lo, exibi-lo e assisti-lo – argumenta a mulher.
_ Mas um filme de protesto é fundamental! É por isso que tô fazendo um – afirma orgulhoso o amigo 2.
_ Ótimo. Faça-o. Mas em protesto, eu não quero participar dele.
_ Mas...
A mulher levanta-se:
_ De qualquer maneira, valeu o convite. Boa sorte.
_ E a cena de beijo? – indaga o amigo 2.
_ Vocês dois podem fazê-la. Vai ficar ótimo.
A mulher sai. Os homens entreolham-se, estupefatos. O amigo 1 matuta:
_ Será?
O amigo 2 espanta-se:
_ Sai fora, cara! Olha a ideia do sujeito... Quer saber: cansei. Em protesto, também eu desisto. Corta!
E assim, acaba a história. Até a próxima.
domingo, 25 de abril de 2010
Homem do bem
“A história de um homem não cabe em um filme”. Esta frase é o que primeiro aparece em “Chico Xavier, o Filme” e bem ajuda na compreensão da obra, uma vez que o objetivo é um recorte na vida do homem Chico, em três de suas fases – infância, juventude e maturidade –, e menos em sua obra mediúnica. Dirigida pelo experiente Daniel Filho, a película é o maior sucesso de estréia da história do cinema brasileiro. Com poucas semanas em cartaz, o filme já detém uma das maiores bilheterias nacionais. Prova da notoriedade de Francisco Cândido Xavier. Tal sucesso comprova que somos uma nação cujo espiritismo alcança enorme popularidade.
Entretanto, não é preciso ser espírita nem tampouco conhecer parte da doutrina iniciada na França por Allan Kardec em 1857, com a publicação de “O Livro dos Espíritos”, para entender a simpatia que Chico Xavier possui nos quatro cantos do país.
A obra de Chico é um impressionante exemplo que podemos ter do sentido de missão. O médium, no decorrer de sua vida, desenvolveu isso obstinadamente, mostrando como um único homem é capaz de tornar melhor a vida daqueles que pedem por ajuda.
Falar em missão significa acreditar que cada tem algo a dizer, algo a fazer. Cada pessoa tem um sentido. E precisa encontrá-lo. A missão pode estar na sua casa, no seu trabalho, no seu jardim. A missão pode residir no extraordinário fato do indivíduo querer se tornar alguém melhor, ainda que o termo “melhor” seja por demais amplo e signifique definições particulares, de acordo com o que cada um traça para si mesmo. Porque certo e errado são elementos relativos; de concreto há apenas o que queremos ou não fazer para nós mesmos e para os outros. E é a partir daqui que avançamos e tropeçamos na vida. Nossos pensamentos, palavras e atitudes podem levar-nos a consequencias positivas e negativas. Muitas vezes, afastamos de nós um grande amor, perdemos beijos doces, empurramos para longe pessoas valiosas, perdemos empregos, deixamos de receber abraços e sorrisos porque não pensamos o que devíamos e, consequentemente, exageramos nas medidas, erramos a dose. Não olhamos para nós mesmos e, sem a introspecção, o silêncio, mensuramos mal os fatos e os atos. É esse o principal desafio: voltarmos-nos para dentro, para não sermos privados de alguma coisa. Todos os profetas, médiuns, gurus e mestres espirituais verdadeiros revelam-nos isso.
Chico Xavier faz de sua vida uma experiência de amor incondicional. Olha pra dentro de si mesmo e, a partir deste olhar, exterioriza o bem. Não importa a crença, importa a ação, o gesto de dedicação e amor.
Desta maneira, o filme atinge o seu objetivo. Faz com que o espectador reflita, permite que ele saia da sala de cinema pensando em como a vida é valiosa e como deve ser tratada com atitude e respeito.
Até a próxima.
domingo, 28 de março de 2010
E a cultura foi pras cucuias...
Nos últimos dias, muito tem se falado do cancelamento da edição deste ano do FIT – Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte. Indignados, representantes da classe artística fizeram barulho à frente da Fundação Municipal de Cultura. E não é para menos. A gente tem que dar o berro mesmo! A suspensão de um evento com a importância do FIT, para a formação de público e do pensamento voltado ao fazer artístico, é de um prejuízo sem tamanho para a cidade. Nenhuma desculpa, hipocritamente articulada pela Fundação e seus asseclas, é capaz de justificar tamanha falta de respeito para com aquilo que não pertence a eles, mas à comunidade. Eles acham que nós somos idiotas? Ano de eleição e de Copa do Mundo não implica no cancelamento de outras atividades de igual importância. Chegaram a dizer que o FIT estava sendo suspenso devido à falta de bons espetáculos no mundo. Repito: no mundo! Que tal então se fizéssemos o convite a alguma companhia teatral de Marte, através de um convênio com a NASA?
Há pessoas que são tão levianas que são incapazes de perceber que eventos coletivos, como os festivais, não pertencem a eles, supostos administradores do poder público. E tampouco se prestam a jogatinas políticas. Trata-se de uma conquista de todos. Onde foi parar o debate, o diálogo, a decisão coletiva? Divulgar uma notícia desta magnitude assim, de supetão, sem qualquer aviso prévio, traz de volta aquele desconforto do autoritarismo, fica parecendo conchavo de gabinete. Em qualquer lugar relativamente sério, teríamos reuniões e discussões sobre o assunto, com representantes da cultura, da comunidade e dos gestores do poder público. Mas o nosso atual governo municipal está tendo a capacidade de causar-nos perplexidade. Algumas medidas parecem querer mandar a democratização da cultura para as cucuias. Proibir eventos artísticos na Praça da Estação é outra medida arbitrária, esdrúxula, sem lastro popular.
E aí, tentando reparar o dano depois que a caca foi feita, surge a ideia de se tentar fazer um FIT menor, com uma edição mais enxuta. E o nobre compromisso de se conduzir esta sugestão ao topo da pirâmide, às instâncias superiores da Prefeitura de Belo Horizonte. Quanta bravura. Ficamos emocionados ao saber do compromisso de nossos dirigentes para com a vontade popular. Soa mais ou menos assim: “tudo bem, estou do lado de vocês, meu povo querido, vou fazer o que vocês querem, pois acredito no bem comum”. Tá bom, viu... A pergunta é: por que então, antes de divulgarem a nota funesta sobre o FIT, antes de agirem com autoritarismo, não anunciaram de uma vez que talvez fosse necessário um certo ajuste no Festival? Existe algum problema em se ter transparência, sobretudo quando estamos tratando de algo que vai muito além que o nosso próprio umbigo?
Até a próxima.
Há pessoas que são tão levianas que são incapazes de perceber que eventos coletivos, como os festivais, não pertencem a eles, supostos administradores do poder público. E tampouco se prestam a jogatinas políticas. Trata-se de uma conquista de todos. Onde foi parar o debate, o diálogo, a decisão coletiva? Divulgar uma notícia desta magnitude assim, de supetão, sem qualquer aviso prévio, traz de volta aquele desconforto do autoritarismo, fica parecendo conchavo de gabinete. Em qualquer lugar relativamente sério, teríamos reuniões e discussões sobre o assunto, com representantes da cultura, da comunidade e dos gestores do poder público. Mas o nosso atual governo municipal está tendo a capacidade de causar-nos perplexidade. Algumas medidas parecem querer mandar a democratização da cultura para as cucuias. Proibir eventos artísticos na Praça da Estação é outra medida arbitrária, esdrúxula, sem lastro popular.
E aí, tentando reparar o dano depois que a caca foi feita, surge a ideia de se tentar fazer um FIT menor, com uma edição mais enxuta. E o nobre compromisso de se conduzir esta sugestão ao topo da pirâmide, às instâncias superiores da Prefeitura de Belo Horizonte. Quanta bravura. Ficamos emocionados ao saber do compromisso de nossos dirigentes para com a vontade popular. Soa mais ou menos assim: “tudo bem, estou do lado de vocês, meu povo querido, vou fazer o que vocês querem, pois acredito no bem comum”. Tá bom, viu... A pergunta é: por que então, antes de divulgarem a nota funesta sobre o FIT, antes de agirem com autoritarismo, não anunciaram de uma vez que talvez fosse necessário um certo ajuste no Festival? Existe algum problema em se ter transparência, sobretudo quando estamos tratando de algo que vai muito além que o nosso próprio umbigo?
Até a próxima.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Cê tá pensando que sou loki?
Ontem assisti ao filme "Loki", sobre o Arnaldo Baptista, com direção de Paulo Henrique Fontenelle. Acompanhado. Ao final da sessão, o silêncio. Durante os créditos finais, durante a saída da sala, numa visita ao banheiro, no caminhar para o carro. Estávamos emocionados, reflexivos. Preenchidos, eu acho. Naquele momento, as palavras não tinham serventia. Ainda agora, penso. Alguém, algum dia, deve ter dito: "Arnaldo, sua vida dá um filme". E deu, cara! Um filmaço. Genialidade, loucura. Vai ver não há muita diferença entre uma coisa e outra. É loki mesmo. Não aquele deus da mitologia nórdica, de mesmo nome. Mas o loki da mente, do corpo, do espírito. Que bom que os lokis existem.
"LÓKI?" – ARNALDO BAPTISTA
(Philips, 1974) – Produção: Arnaldo Baptista
"O disco 'Lóki?' é, até hoje, o disco mais visceralmente revolucionário da música brasileira. Com um instrumental mínimo – teclado (Arnaldo), contrabaixo (Liminha), bateria (Dinho) e backing-vocals (Rita Lee) – (o último encontro dos Mutantes), 'Lóki?', em dez canções, passa a limpo toda a era do rock'n'roll e o que poderia ter sido uma tropicália lisérgica. Sem dúvida, o melhor elenco de canções incluídas em um único álbum."
Fonte: www.arnaldobaptista.com.br
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Pausa para a poesia
Pois é, façamos uma breve pausa para a poesia. Então, vamos lá: uma pausa para Shakespeare. Transitando pelo lírico e pelo dramático, sonetos e peças, o genial bardo inglês de vida curta (1564-1616) e obra eterna esboçou a natureza humana em cores, texturas e sons como nenhum outro. Que tal o soneto a seguir?
Soneto #116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Adoro isso aí. A propósito: quem tiver a oportunidade de ler parte dos 157 sonetos que formam a série shakespeariana, que o faça. Deguste o texto e sinta a melodia. Shakespeare é música. Qualquer coisa que disser sobre Shakespeare estarei sendo redundante e, por mais imodéstia que exista na parte final do soneto 116, termino por parafrasear Ben Jonson, outro poeta elisabetano, ao concluir que o cara não foi do seu tempo, foi eterno.
Até a próxima.
Soneto #116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Adoro isso aí. A propósito: quem tiver a oportunidade de ler parte dos 157 sonetos que formam a série shakespeariana, que o faça. Deguste o texto e sinta a melodia. Shakespeare é música. Qualquer coisa que disser sobre Shakespeare estarei sendo redundante e, por mais imodéstia que exista na parte final do soneto 116, termino por parafrasear Ben Jonson, outro poeta elisabetano, ao concluir que o cara não foi do seu tempo, foi eterno.
Até a próxima.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Realidade e fantasia
Imagine-se num mundo onde tudo seja harmonia, onde apenas a natureza dite as regras e onde os seres que nele habitam convivam em simbiose com o ecossistema. É, parece ficção.
Mas aí, surge o homem. E por ganância ferra tudo, transformando a vida em caos. Ah, essa parte já é real, lamentavelmente. Ducha de água fria, para tirar-nos da ficção e socar-nos na realidade.
Em “Avatar”, o diretor canadense James Cameron (“O Exterminador do Futuro 1 e 2”, “O Segredo do Abismo”, “Titanic”) discute exatamente isso. E pra realçar a estirpe pouco humanizada de alguns seres humanos, a tecnologia futurista de meados do séc. XXII, época em que se passa o enredo, intensifica o nível de crueldade de maneira abissal.
O termo “avatar” é antigo. Deriva do sânscrito “Avatāra”, que significa “aquele, que descende de Deus”. Um avatar seria, portanto, uma manifestação corporal de um ser imortal. Para os hindus, é a encarnação de Vishnu (como Krishna). Muitos não-hindus, por extensão, utilizam o termo para denotar as encarnações de divindades em outras religiões.
Podemos perceber, pela definição acima, que “Avatar”, o filme, objetiva discutir alguns conceitos. Dentre eles: o homem tem noção daquilo que deve ou não deve fazer com tudo que o rodeia? Somos todos parte de uma teia, interligada por energias. Se a quebramos, sofremos as consequências.
Efeitos especiais impressionantes numa versão 3D espetacular fazem do filme de Cameron uma obra imperdível. E melhor: vem em momento propício. Que cada espectador – sobretudo os adultos – perceba que o filme, em toda a sua fantasia, discute a realidade muito mais a fundo do que se pode imaginar à primeira vista.
Até a próxima.
Mas aí, surge o homem. E por ganância ferra tudo, transformando a vida em caos. Ah, essa parte já é real, lamentavelmente. Ducha de água fria, para tirar-nos da ficção e socar-nos na realidade.
Em “Avatar”, o diretor canadense James Cameron (“O Exterminador do Futuro 1 e 2”, “O Segredo do Abismo”, “Titanic”) discute exatamente isso. E pra realçar a estirpe pouco humanizada de alguns seres humanos, a tecnologia futurista de meados do séc. XXII, época em que se passa o enredo, intensifica o nível de crueldade de maneira abissal.
O termo “avatar” é antigo. Deriva do sânscrito “Avatāra”, que significa “aquele, que descende de Deus”. Um avatar seria, portanto, uma manifestação corporal de um ser imortal. Para os hindus, é a encarnação de Vishnu (como Krishna). Muitos não-hindus, por extensão, utilizam o termo para denotar as encarnações de divindades em outras religiões.
Podemos perceber, pela definição acima, que “Avatar”, o filme, objetiva discutir alguns conceitos. Dentre eles: o homem tem noção daquilo que deve ou não deve fazer com tudo que o rodeia? Somos todos parte de uma teia, interligada por energias. Se a quebramos, sofremos as consequências.
Efeitos especiais impressionantes numa versão 3D espetacular fazem do filme de Cameron uma obra imperdível. E melhor: vem em momento propício. Que cada espectador – sobretudo os adultos – perceba que o filme, em toda a sua fantasia, discute a realidade muito mais a fundo do que se pode imaginar à primeira vista.
Até a próxima.
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