domingo, 28 de junho de 2009

l.a. l.u.n.a.

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desejo,
incompreensão,
..................................... lua, flor, borboleta.
li: "...a noite corrige".

que seja.
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sábado, 27 de junho de 2009

!!
"As esquadras acodem ao porto.
O trem corre para as estações.
Eu, mais depressa ainda,
Vou a ti,
atraído, arrebatado,
pois que te amo."

Maiakóvski
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*o farol que era um poeta
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sexta-feira, 19 de junho de 2009

Um caramelo no Rio de Janeiro


O que fazer numa tarde de terça-feira bizarramente fria no Rio de Janeiro? Praia, nem para os gringos! Um café até que pode cair bem. Ou mesmo um doce. Que tal um caramelo? Tentando resolver a questão, lá fui eu a uma sala em Botafogo, em busca da guloseima...

Em “Caramelo” (“Caramel”), filme franco-libanês da diretora Nadine Labaki, o universo feminino é descortinado de maneira curiosa e, por vezes, hilariante. No enredo, cinco mulheres revelam-nos seus anseios e expectativas, invariavelmente ligados a seus relacionamentos. Quatro delas trabalham num salão de beleza em Beirute. À exceção da mais velha, que sonha tornar-se atriz de comercias para a tevê e vive dando palpites na vida das amigas, as outras três vivem momentos de grande impasse amoroso: a belíssima cabeleireira protagonista – interpretada pela própria diretora – é amante de um homem casado, que não consegue livrar-se da esposa, deixando-a sempre a escanteio. Atordoada, a cabeleireira-manicure se submete a atender a cônjuge de seu amante na própria residência do casal, sem que o homem saiba, provocando em si mesma aquela sensação humilhante, que todos passam algum dia, quando se apaixonam pela pessoa errada. Enquanto isso, o tímido e simpático policial que monta ronda pelas redondezas do salão está loucamente apaixonado pela moça, sem que ela lhe dê a menor atenção. Nadine leva-nos a pensar que geralmente as coisas são assim: aqueles que valem a pena nunca recebem a devida atenção. Já os crápulas... Apesar disso, existe esperança para a cabeleireira e o policial. Afinal, tudo pode mudar. De beleza estonteante, a atriz-diretora hipnotiza, seduz e convence em seu papel.

A segunda protagonista vive um seriíssimo (assim mesmo, com dois “is”) problema árabe: vai se casar, mas já deixou de ser donzela. Pior: o noivo desconhece por completo o fato. E mais: o cara é esquentadinho, adora brigar por qualquer coisa. A solução? Visitar em segredo uma clínica ginecológica e dar uns pontinhos... Será?

A terceira cabeleireira passa por situação igualmente peculiar: começa a perceber-se interessada por uma de suas clientes. A descoberta da sexualidade. Aos poucos, as trocas de olhares intensificam-se, abrindo possibilidades entre as duas. É simples e inteligente como a diretora sugere ao espectador – ou deixa-o a pensar – o que poderá se passar entre elas. E essa é exatamente a imagem do filme que antecede os créditos finais e que, talvez, traga em si o estado emocional predominante da película.

A única personagem feminina que não habita os domínios do salão, mas o visita enquanto cliente, é uma solitária costureira, na terceira idade, que acaba conhecendo um elegante senhor, ao ajustar-lhe o terno. Mais uma vez, a libanesa Labaki consegue colocar-nos dentro do filme, ao compartilhar conosco o sentimento da personagem: o medo de um relacionamento, quando a pessoa acredita já “ter passado” da idade para isso.

Se apenas beleza não põe mesa, graça e talento juntos montam uma casa inteira! A jovem diretora-atriz, em seu filme de estréia, mostra sensibilidade e faro narrativo. A complexidade da natureza feminina, campo pouco conhecido para a maioria dos diretores de cinema – e para quase todos os homens! – aparece aqui, recheada de sentimento e força, com notável segurança. Pode ser que Nadine Labaki revele alguma influência de Pedro Almodóvar, sobretudo nas cenas cômicas – e isso não seria fora do lugar, uma vez que o espanhol nascido em Calzada de Calatrava, Cuidad Real é dos poucos diretores na ativa que tem coragem e estilo, ao abortar o sempre tão incompreensível universo feminino.

Até a próxima.