sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Tudo ao mesmo tempo agora

Tem época em que tudo agarra. Vejam como são as coisas: vivo às vésperas do encerramento do prazo para finalizar a minha monografia de pós-graduação – que, obviamente, ainda falta a maior parte –; ando atolado de coisas no trabalho, sobretudo com uma pilha de contas sobre a mesa, que insiste em ficar me olhando feito besta; estou em plena mixagem de uma música boa à beça e a bessa (faltou modéstia aqui) e me encontro no limite para entregar esta belíssima crônica (outra total ausência de modéstia). Por isso e por tudo o que existe e o que há, neste exato momento, enfurnado me encontro num quarto de hotel em Curitiba para dar conta do recado. O motivo de estar na capital paranaense, sentindo um friozinho legal? Sim, sim, claro: neg(ócio). Deu pra entender? Explico: trabalho, mas com dose de prazer. Aí é bom, costuma ser. Mais objetivamente, cá me encontro por ocasião do Festival Internacional de Cinema Super 8 de Curitiba. Tive dois filmes aqui selecionados e pai que é pai não abandona suas crias, ainda que elas sejam feitas apenas de celulóide. E convenhamos, melhor assim que ficar cultivando celulite... Essa foi péssima, eu sei.

Pois bem. A razão da lengalenga acima obviamente diz respeito ao título desta crônica. Quando intitulamos um texto, visamos chamar a atenção daqueles que potencialmente podem dispor de um tempinho lendo-o. Quanto mais chamativo, mais leitores. Mas agora é que são elas: quanto menos a ver com o tema a ser discorrido, mais enganação. Tudo, porém, tem um propósito. Querem ver?

Vocês sabem – ou se lembram – o que é “super 8”? Seguindo o ditado daquele filósofo que diz que escrever sem ensinar é perda de tempo, façamos uma pequenina viagem histórica.

Inicialmente denominado por 8mm, formato de película inventado pela Eastman Kodak Company na primeira metade do século passado, o super 8 é um tipo de bitola que tinha como objetivo a viabilização de filmes caseiros, com baixo ou nenhum orçamento. O formato atual do super 8 (em cartucho) foi apresentado ao consumidor em abril de 1965. Desta época até fins dos anos 70, o super 8 ganhou popularidade, chamou a atenção de muita gente, que adquiriu câmera, cartuchos e projetor para filmar viagens, fazer registros familiares e criar seus pequenos enredos ficcionais e documentais, exibindo-os em casa depois de filmados. Com o surgimento do vídeo-cassete no início da década de 80, a pequena bitola cinematográfica foi, aos poucos, deixando de ser utilizada pela maioria. Mas, mesmo com as mudanças significativas do mercado audiovisual nos últimos 30 anos, novas gerações de cinegrafistas, com projetos de filmes e aplicações que não existiam nos anos 60, passaram a aceitar o filme pequeno. Muitos dos grandes cineastas e fotógrafos de hoje, que começaram suas carreiras há décadas, também passaram pelo super 8.

Espero que este rápido passeio pela história recente da imagem em movimento tenha sido para vocês agradável. Para mim, foi cinematograficamente ótimo.

Aproveito o assunto e já faço propaganda do novo filme do diretor e produtor J. J. Abrams (o mesmo da série “Lost”), que deverá ser lançado em breve. O título é sugestivo: nada mais, nada menos que “Super 8”. É esperar e conferir.

Até a próxima.

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