E eis que a saga do bruxinho Harry Potter chega em seu episódio final nos cinemas. Quer dizer, no penúltimo capítulo, pois o último livro da série foi dividido em dois filmes. A primeira parte do fim entrou em cartaz em Beagá City no dia 19 de novembro, em 33 salas. Tornou-se a maior estréia da Warner Bros. no Brasil. A película, baseada na obra literária da inglesa J. K. Rowling, levou 1 milhão e 300 mil brasileiros aos cinemas no fim de semana de estréia, assumindo o posto de filme mais visto no país em apenas três dias de exibição.
O longa-metragem, dirigido pelo também britânico David Yates e estrelado pelos jovens Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson, está em mais de 900 salas no Brasil. Nos Estados Unidos, “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1” estreou em 4125 salas e registrou 24 milhões de dólares apenas com as sessões inaugurais da meia-noite.
Estatísticas impressionantes à parte, a série fílmica inspirada nos livros da escritora nascida sob o nome de Joanne Rowling merece o sucesso que vem fazendo desde o primeiro filme, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, de 2001. A propósito: em 2004, a moça tornou-se, aos 39 anos, a primeira pessoa a ficar bilionária (em dólares) vendendo livros.
Tirando acusações de plágio, jogando no lixo os alfarrábios oportunistas com temas semelhantes e mandando às fogueiras os processos impetrados na justiça por puritanos imbecis que têm o despautério de afirmar que a história desperta nas crianças a curiosidade pela bruxaria (e daí se despertar?), o que essa autora inglesa conseguiu é prodigioso. O extenso enredo, dividido em sete livros, é capaz de encantar crianças, jovens e adultos. Ao falar sobre magia, bruxos, seres míticos e/ou imaginários, amizade, determinação, superação, sacrifício, luta do bem contra o mal, amadurecimento, amor, etc, etc, o universo de Harry Potter consegue tocar aquilo que a maioria das pessoas alimenta dentro de si: a fantasia. Não importa a idade, mas o sonho – que pode ser entendido como aquele desejo intenso e vivo capaz de suprir o que falta a muita gente em seus cotidianos.
Não é de hoje que a raça humana deseja viver aventuras fabulares, descobrir novas realidades, superar desafios arrebatadores. As lendas arquetípicas do Ocidente e do Oriente antigos apresentam-nos anseios similares. Parafraseando o texto inicial da série “Jornada na Estrelas” (“Star Trek”), criada por Gene Roddenberry para a tevê, de estrondoso sucesso a partir da segunda metade dos anos 1960, o que muita gente quer é “audaciosamente ir onde nenhum homem jamais esteve”. Mesmo para aqueles não muito afeitos às experiências arriscadas, ainda assim, o mundo de Harry Potter encanta e seduz por ser simplesmente “mágico”. Inconsciente coletivo, talvez.
Aos adultos, a história permite sensação de frescor, por colocar-lhes em contato com algo guardado na memória. Às crianças, dá vontade de ser aqueles garotos e garotas, com varinhas mágicas e muitos apertos, no enfrentamento de perigos. Meus filhos eram crianças quando o primeiro filme da saga foi lançado. Hoje, crescidos, são capazes de falar com propriedade sobre cada um dos filmes, o que gostaram ou não, os momentos que lhes fizeram sonhar e – por que não? – crescer. Mais fascinante ainda é perceber que o papai aqui fica tão ou mais entusiasmado que eles, para assistir à nova película.
É por isso que cá estou, escrevendo sobre algo que ainda não vi. Mas há tempo. Esperemos as filas nos cinemas diminuírem.
Até a próxima.
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