Estava, ontem, pesquisando no Google quando me deparei com fato inusitado – aliás, bizarrice na Internet é coisa que abunda. Uma moça afirmava: “preciso muito ficar rouquinha até quinta-feira. Me ajudem, por favor!”. Queridos, a demanda da beldade, em si, já é incomum. Mas teve uma resposta que me soou estupenda. Sujeito dizia: “é só gritar dentro do vaso por 3, 4, 5 horas seguidas. Grita o dia inteiro, mas dentro do vaso, porque se você gritar perto das pessoas, elas vão te internar num hospital de loucos”.
Das duas, uma: ou ando muito besta, acima da medida, ou a necessidade da moça e a ajuda do amigo são engraçadas, porque eu me diverti. Verdade. Devo até ter ficado rouco, vitimado pelas minhas risadas que desconfio sem propósito... Pelo meu turno, a sugestão que dou à moçoila é bradar pateticamente, enfurecer-se, espernear-se, tentar chorar a todo custo e sem propósito, como anda fazendo Regina Duarte na refilmagem de “O Astro”. Interpretação sofrível, caricatural ao extremo, numa das piores novelas da história, embora desconheça todas as outras. Está de doer a pleura e tudo quanto é órgão e membrana que recebem o que é repulsivo... E aí, alguém me pergunta, com imensa perplexidade: “man, tu vês novela?” Eu devolvo: “é evidente que não, mas às 23:00 já tô em casa, pô, e a m*! da televisão, sem cabo, costuma ficar ligada”. Aí, danou-se.
Pois é, fica assim então. No dia que precedeu o de hoje, teve isso. No dia que agora me encontro, teve outra: liguei faz pouco para o meu filho mais novo – dezoitão, enorme, maior que eu –, pedindo que ele fosse ao cartório autenticar um documento, pois agarrado estava e agarradíssimo estou. O cara me respondeu: “ih, pai, vai dar não”. “Por que?”, indaguei, pensando tratar-se de preguiça. “Ah, porque tô numa caganeira mítica!” Pronto, a resposta já foi suficiente para me fazer rir outra vez. Caganeira mítica... Só meu filho mesmo...
Por falar em mito, desta vez fisiologicamente bem comportado, sem vasos e gritarias por perto, lembrei-me que a última coisa fabulosa, fantasiosa e rara que vi no cinema foi “Planeta dos Macacos: A Origem” (“Rise of the planet of the apes”, EUA, 2011). A versão atual, dirigida por Rupert Wyatt e protagonizada por James Franco, não se compara, nem por um milímetro, ao primeiro filme da série dos anos 1960/70, de título similar (“Planet of the Apes”, EUA, 1968, direção de Franklin J. Schaffner), estrelado por Charlton Heston e Roddy McDowall, que obteve sucesso estrondoso e várias continuações no cinema, gerando, ainda, uma boa série de TV. A última cena do filme de Schaffner, mostrando o desespero de Heston ao descobrir a verdade, é dos momentos mais emblemáticos e inesquecíveis da ficção científica no cinema.
Em 2001, também teve a variante de Tim Burton para o “Planeta dos Macacos” (“Planet of the Apes”, EUA), naquele que pode ser considerado o pior filme do talentoso diretor estadunidense. A versão atual consegue ser bem melhor. Por sinal, ninguém até hoje soube explicar como Burton se meteu em algo tão ruim...
A história de um mundo governado por macacos continua interessante, sobretudo quando sabemos que muito governante por aí consegue ser mais desumano que qualquer primata. Na verdade, chamar certas pessoas de macaco é ofender nossos amigos símios, dos quais descendemos.
Embora não seja filme de primeira, a refilmagem moderna da lenda vale como diversão. Serve, também, como reflexão – afinal, o único bicho com capacidade de ser cruel é o homem. Macacos, certamente, não cometeriam as atrocidades que vemos todos os dias.
Até a próxima.
O objetivo é simples, embora audacioso: a tentativa de relatar, analisar, discutir, confrontar, criticar e respeitar tudo aquilo que permite admiração ou repulsa nos sons, nas telas, nos palcos e nos livros da vida.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
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