Não faz muito tempo, agorinha mesmo, escutei na CBN que as obras de reforma do Mineirão estão sob suspeita e serão investigadas. Parece que está rolando por lá muita falcatrua... Oops, mas por que raios duplos e triplos eu não fiquei surpreso com esta minha última frase? Vai ver que é porque no Brasil ética e honestidade não sejam lá coisas a serem levadas em conta... Ai, ai, lá vamos ficar outra vez passivos com a roubalheira neste país.
Segundo o radialista, cujo nome não me lembro, o custo da obra, que visa melhorias no estádio para a Copa do Mundo de 2014, assumiu cifras exorbitantes. Procês terem uma ideia, de acordo com a reportagem, só o valor pago na contratação de um escritório de arquitetura para criação de um projeto de reforma foi algo em torno de 17.500.000,00. Cês estão entendendo os números? Dezessete milhões e quinhentos mil reais para um projeto de reforma – eu disse “reforma” – do Estádio Magalhães Pinto. Para efeito de comparação, o escritório de Oscar Niemeyer – eu disse “Niemeyer” – recebeu 3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais) para criação do projeto original da Cidade Administrativa. Amigos de todas as cores, credos e gostos: um projeto original quatorze milhões de reais mais barato que um de reforma, feito pela turma do mais famoso arquiteto brasileiro. Vou voltar minha fita K7 e repetir: um projeto arquitetônico inédito, não estou falando agora de projeto para melhorar o que já existe, como no caso do conhecido templo futebolístico, onde o Cruzeirão, o Atleticão e o Americão já mandaram milhares de jogos.
Os valores aqui citados foram pronunciados pelo repórter radiofônico da CNB, o que não me deixa crer que ele estivesse mentindo. E tem mais um detalhe: segundo ele, a contratação milionária do escritório deu-se sem licitação. Diacho, danou-se de vez, agora tô besta!!! É por estas e outras que Shakespeare estava certo: “Há algo de podre na República Federativa do Brasil”. Sim, porque se ele conhecesse o Brasil, não teria escrito a tragédia “Hamlet” com ambientação no Reino da Dinamarca. Aliás, nosso paraíso tropical seria o lugar ideal para as suas tragédias.
Às vezes penso que nós, brasileiros, temos mais é nos ferrar. Em país dominado por embusteiros – e muitos deles, nós mesmos elegemos –, todo mundo tem mais é que se estropiar. Não é possível tanta pilantragem! A gente tem que dar o grito, pombas! Dá até vontade de xingar à beça. Mas os termos exatos que gostaria de escrever – e muito o mais que precisava vociferar – não o faço, pois, parafraseando o Almeida Reis, sou de uma pudicícia que encanta e comove.
Mudando de pato para ganso (puxa, até parece que tô falando de jogadores de futebol), só faltou o cisne... Quer dizer, não é isso, tem nada a ver com o assunto, me embananei com a quantidade de anseriformes citados na frase anterior. Mas tudo bem, como sei que é do conhecimento de todos nós desde o nascer, anseriforme é uma ordem de aves aquáticas que contém 161 espécies distribuídas por 48 gêneros e 3 famílias. O pato, o ganso e o cisne são representantes legítimos desta patota, que costuma se dar bem na água e, mais recentemente, nos gramados de futebol.
Pronto. Descobri porque cheguei às aves: é que estava eu falando das ladroagens que estão rolando no Mineirão, onde o Pato e o Ganso algum dia jogarão.
No mais, até a próxima procês todos.