domingo, 13 de dezembro de 2009

Um certo García Lorca


O fim de ano vem chegando e as celebrações começando: natal e, no meu caso, virada de ano juntinho com aniversário (oh: aceito presentes!). Momento de comemoração, vencemos outro ano. Inevitavelmente, lembramo-nos daqueles que ficaram pelo caminho – todo ano deixa marcas: algumas, pesadas como montanhas. Outras, leves feito plumas.

Fim de ano é momento de traçar metas, assumir responsabilidades para o próximo calendário. Atitude. Precisamos contribuir para a melhoria do planeta, assunto primeiro das pautas daqueles que têm um mínimo de consciência.

Lembrei-me do poeta, dramaturgo e compositor andaluz Federico García Lorca, nascido nos arredores de Granada, sul da Espanha. Assassinado em 1936 no início da ditadura franquista, aos 38 anos, García Lorca tinha voz e preocupação com este mundo. Alguns anos antes de perder a vida brutalmente, chegou a dizer: "O mundo está imobilizado diante da fome que extermina os povos. Enquanto houver esse desequilíbrio, o mundo não poderá raciocinar. Vi isso com meus próprios olhos. Dois homens que se vão à margem de um rio. Um é rico; o outro, pobre. Um com a barriga cheia e o outro que enche o ar com seus bocejos. E o rico exclama: 'Oh, que lindo barco vai passando! Veja essa flor na margem do rio!'. O pobre só pode balbuciar: 'Estou com fome, não vejo nada'. Naturalmente. No dia em que a fome desaparecer, haverá no mundo a maior explosão espiritual que a humanidade tenha jamais visto. É difícil imaginar a alegria que brotará nesse dia".

O autor deu este depoimento na década de 1930. Parece que foi ontem. Que nos sirva de inspiração.

Boas festas. Um 2010 repleto de paz, saúde e realizações.

P.S.: quem quiser conhecer poemas musicados de Lorca, acesse
www.myspace.com/proyectolorca