Fim de ano tem sempre aqueles papos de retrospectiva: gente se lembrando do que de bom aconteceu; dos principais assuntos que estiveram em pauta através do senso popular; dos fatos que mais chocaram; dos amigos e das celebridades que se foram; dos eventos que poderiam ter ocorrido mas não se passaram. É momento, enfim, de refletir – orgulhar-se daquilo que valeu a pena, aprender com o que deu errado e seguir adiante.
Dois mil e dez foi um ano difícil. Assim mesmo, por extenso. Mas, como ainda não acabou, fica aqui no gerúndio: está sendo um ano complicado, de trabalho e esperança – a mãe de todas as coisas. Copa do mundo de futebol; eleições para presidente, senadores e deputados; guerra nos morros; violência às pampas nas ruas e no trânsito; amores e desafetos; sorrisos e lágrimas; conquistas e derrotas, e muito mais, ao gosto do freguês. Os periódicos impressos e eletrônicos que o digam.
Como não cabe aqui falar de tudo o que se deu – aliás, não cabe em lugar algum: faltaria espaço e conhecimento de causa –, foquemos numa ou noutra coisinha de cunho cultural.
Os 113 aninhos de Belo Horizonte foram recentemente comemorados com show na Praça da Estação, em dia chuvoso. A mesma praça que, para muitos, virou “praia”, com calções, tangas e biquínis, em protesto pelas atitudes inacreditavelmente medíocres do atual prefeito, impingidas à área cultural. Trapalhadas colossais da Fundação Municipal de Cultura, como a tentativa de acabar com a edição deste ano do FIT – Festival Internacional de Teatro Palco e Rua, não impediram que a cidade abrigasse grandes eventos no decorrer do calendário. O Festival do Cinema Independente, o Festival Internacional de Curtas-Metragens, o Cine BH, o já citado FIT, o Festival Internacional de Teatro de Bonecos, o Festival Internacional de Dança, a Feira Música Brasil, inúmeros shows bacanas e incontáveis outros eventos (muita coisa merecia ser citada, mas o espaço é limitado) abrilhantaram nossa agenda cultural. Faltou o Paul dar o ar da sua graça por aqui, mas é duro reconhecer que a cidade não dispõe de recinto para o ex-Beatle se apresentar, com o Mineirão fechadão para reformas, visando a Copa de 2014. Aliás, será esse um dos principais assuntos nos próximos três anos e meio, mesmo depois do fim do mundo, em 2012...
Em 2010, o cinema nacional viu o surgimento da mais monstruosa bilheteria e do mais agigantado público para um filme tupiniquim em território brasilis: o “Tropa de Elite 2”, do diretor e produtor José Padilha. Um mérito inegável, onde a tríade tema + investimento + publicidade funcionou como nunca. E diga-se mais: o filme do Padilha coloca em questão um assunto polêmico, que divide opiniões e que boa parte da população conhece ou desconfia: o envolvimento de políticos com a milícia dos morros e com o tráfico. Pois é, política e fatos escusos costumam dar histórias, as mais terríveis. Ao final da sessão, a percepção de quem assiste ao “Tropa de Elite 2” segue quase sempre a mesma direção: do asco e da revolta. Numa análise direta e sem delongas, um filme bastante propício para anos de eleição.
Vou ficando por aqui, senão o bicho pega. Que 2011 seja para todos repleto de realizações e, sobretudo, de amor, saúde, felicidade e paz. O resto a gente corre atrás.
Que Deus nos ilumine.
Até a próxima.
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