Pois é, façamos uma breve pausa para a poesia. Então, vamos lá: uma pausa para Shakespeare. Transitando pelo lírico e pelo dramático, sonetos e peças, o genial bardo inglês de vida curta (1564-1616) e obra eterna esboçou a natureza humana em cores, texturas e sons como nenhum outro. Que tal o soneto a seguir?
Soneto #116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Adoro isso aí. A propósito: quem tiver a oportunidade de ler parte dos 157 sonetos que formam a série shakespeariana, que o faça. Deguste o texto e sinta a melodia. Shakespeare é música. Qualquer coisa que disser sobre Shakespeare estarei sendo redundante e, por mais imodéstia que exista na parte final do soneto 116, termino por parafrasear Ben Jonson, outro poeta elisabetano, ao concluir que o cara não foi do seu tempo, foi eterno.
Até a próxima.
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