No Rio de Janeiro, de novo. Talvez seja a primeira, dentre as últimas dez vezes, que venho à Cidade Maravilhosa apenas a passeio. Nada de trabalho. Só diversão e arte para qualquer parte... Momento bom para rever amigos que aqui se instalaram e apreciar uma praiazinha, tomando um solzinho maneiro acompanhado daquela geladaça! O motivo da vinda? Fácil: o show do Paul! Como fã de McCartney e fã do Rio, decidi juntar os dois fanatismos e cá aportar três dias antes do espetáculo. Afinal de contas, curtir a vida é bom e eu agradeço.
É curioso imaginar (todas as vezes que aqui estou penso nisso) como uma metrópole muito maior do que BH City, com frota de veículos imensamente mais numerosa, tem um trânsito menos agarrado que a Capital das Alterosas. Por que isso se dá? Quem é o responsável pelo caos? O projeto original de BH, datado do final do séc. XIX? A população? O avanço econômico? Os políticos? Aqueles que deveriam gerenciar o trânsito? Vai ver, uma junção de tudo isso e mais. De concreto (e há pesquisas que confirmam), temos o trânsito belorizontino como o menos solidário do Brasil. Se alguém duvida, tente dar uma setinha, na esperança de conseguir passagem de uma faixa a outra e veja se algum horizontino (que no trânsito nada tem de belo) será a capaz de deixá-lo passar. Arrisque fazer uma simples conversão e veja se alguém terá o bom senso de ceder espaço. Sujeito acelera pra não ver você à frente dele, como se estivéssemos numa disputa por uma merda qualquer, em meio ao caos. Enfim, é assim, entre as montanhas. Aqui no Rio, ainda que a falta de educação também exista, pelo menos, não há a BHTRANS.
Essas coisas são terríveis. Pensar nisso me deixa violento como Hagar, o Horrível. Por que tive que citar a política? Diacho, sou daqueles que acham que política deve ser como futebol: se o técnico não está dando certo, manda-se embora e contrata-se outro. Às vezes, consegue-se assim evitar que as coisas piorem e, até mesmo, rebaixamentos dados como certos... Brincadeira. Na política isso não funciona. Os “treinadores” são por nós eleitos. Política é coisa séria, desde a Antiguidade. Lamentavelmente, ela hoje é o oposto do que pensava Platão, quando assumia que a política era a arte que curava a alma e a tornava o mais virtuosa possível. A política coincidia com a filosofia, e um Estado deveria ser fundado sobre os valores do bem e da justiça. Pois é, depois dessa, é melhor não comentar o que é a política nos tempos atuais...
Quanto ao futebol, bem, de todas as coisas sem importância o futebol talvez seja a mais importante. É por isso que nos cabe ligar a tevê, pois o Brasileirão está começando.
No mais, ainda sobrou um tempinho aqui, mesmo com os raios solares no Leme durante a tarde com amigos e o bondinho em Santa Tereza à noite com estes mesmos amigos, de assistir, após tudo isso, ao filme “Os Agentes do Destino” (“The Adjustment Bureau”, EUA, 2011, direção de George Nolfi, com roteiro baseado num conto de Philip K. Dick, estrelado por Matt Damon e Emily Blunt). História instigante, sobre tema curioso.
Ao final, saí do Roxy influenciado, pensando se o encontro com a belíssima morena que conhecera algumas horas antes, na praia, entre os amigos e com quem reencontrara no jantar, que culminou no passeio de bonde – e cujo charme absoluto abalroou minha atenção e meu pensamento (até agora não penso noutra coisa senão nela) –, já não era algo traçado por um destes agentes do destino. Tomara. Ah, tomara...
Até a próxima.