domingo, 25 de abril de 2010

Homem do bem


“A história de um homem não cabe em um filme”. Esta frase é o que primeiro aparece em “Chico Xavier, o Filme” e bem ajuda na compreensão da obra, uma vez que o objetivo é um recorte na vida do homem Chico, em três de suas fases – infância, juventude e maturidade –, e menos em sua obra mediúnica. Dirigida pelo experiente Daniel Filho, a película é o maior sucesso de estréia da história do cinema brasileiro. Com poucas semanas em cartaz, o filme já detém uma das maiores bilheterias nacionais. Prova da notoriedade de Francisco Cândido Xavier. Tal sucesso comprova que somos uma nação cujo espiritismo alcança enorme popularidade.

Entretanto, não é preciso ser espírita nem tampouco conhecer parte da doutrina iniciada na França por Allan Kardec em 1857, com a publicação de “O Livro dos Espíritos”, para entender a simpatia que Chico Xavier possui nos quatro cantos do país.

A obra de Chico é um impressionante exemplo que podemos ter do sentido de missão. O médium, no decorrer de sua vida, desenvolveu isso obstinadamente, mostrando como um único homem é capaz de tornar melhor a vida daqueles que pedem por ajuda.

Falar em missão significa acreditar que cada tem algo a dizer, algo a fazer. Cada pessoa tem um sentido. E precisa encontrá-lo. A missão pode estar na sua casa, no seu trabalho, no seu jardim. A missão pode residir no extraordinário fato do indivíduo querer se tornar alguém melhor, ainda que o termo “melhor” seja por demais amplo e signifique definições particulares, de acordo com o que cada um traça para si mesmo. Porque certo e errado são elementos relativos; de concreto há apenas o que queremos ou não fazer para nós mesmos e para os outros. E é a partir daqui que avançamos e tropeçamos na vida. Nossos pensamentos, palavras e atitudes podem levar-nos a consequencias positivas e negativas. Muitas vezes, afastamos de nós um grande amor, perdemos beijos doces, empurramos para longe pessoas valiosas, perdemos empregos, deixamos de receber abraços e sorrisos porque não pensamos o que devíamos e, consequentemente, exageramos nas medidas, erramos a dose. Não olhamos para nós mesmos e, sem a introspecção, o silêncio, mensuramos mal os fatos e os atos. É esse o principal desafio: voltarmos-nos para dentro, para não sermos privados de alguma coisa. Todos os profetas, médiuns, gurus e mestres espirituais verdadeiros revelam-nos isso.

Chico Xavier faz de sua vida uma experiência de amor incondicional. Olha pra dentro de si mesmo e, a partir deste olhar, exterioriza o bem. Não importa a crença, importa a ação, o gesto de dedicação e amor.


Desta maneira, o filme atinge o seu objetivo. Faz com que o espectador reflita, permite que ele saia da sala de cinema pensando em como a vida é valiosa e como deve ser tratada com atitude e respeito.

Até a próxima.