O objetivo é simples, embora audacioso: a tentativa de relatar, analisar, discutir, confrontar, criticar e respeitar tudo aquilo que permite admiração ou repulsa nos sons, nas telas, nos palcos e nos livros da vida.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Cê tá pensando que sou loki?
Ontem assisti ao filme "Loki", sobre o Arnaldo Baptista, com direção de Paulo Henrique Fontenelle. Acompanhado. Ao final da sessão, o silêncio. Durante os créditos finais, durante a saída da sala, numa visita ao banheiro, no caminhar para o carro. Estávamos emocionados, reflexivos. Preenchidos, eu acho. Naquele momento, as palavras não tinham serventia. Ainda agora, penso. Alguém, algum dia, deve ter dito: "Arnaldo, sua vida dá um filme". E deu, cara! Um filmaço. Genialidade, loucura. Vai ver não há muita diferença entre uma coisa e outra. É loki mesmo. Não aquele deus da mitologia nórdica, de mesmo nome. Mas o loki da mente, do corpo, do espírito. Que bom que os lokis existem.
"LÓKI?" – ARNALDO BAPTISTA
(Philips, 1974) – Produção: Arnaldo Baptista
"O disco 'Lóki?' é, até hoje, o disco mais visceralmente revolucionário da música brasileira. Com um instrumental mínimo – teclado (Arnaldo), contrabaixo (Liminha), bateria (Dinho) e backing-vocals (Rita Lee) – (o último encontro dos Mutantes), 'Lóki?', em dez canções, passa a limpo toda a era do rock'n'roll e o que poderia ter sido uma tropicália lisérgica. Sem dúvida, o melhor elenco de canções incluídas em um único álbum."
Fonte: www.arnaldobaptista.com.br
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Pausa para a poesia
Pois é, façamos uma breve pausa para a poesia. Então, vamos lá: uma pausa para Shakespeare. Transitando pelo lírico e pelo dramático, sonetos e peças, o genial bardo inglês de vida curta (1564-1616) e obra eterna esboçou a natureza humana em cores, texturas e sons como nenhum outro. Que tal o soneto a seguir?
Soneto #116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Adoro isso aí. A propósito: quem tiver a oportunidade de ler parte dos 157 sonetos que formam a série shakespeariana, que o faça. Deguste o texto e sinta a melodia. Shakespeare é música. Qualquer coisa que disser sobre Shakespeare estarei sendo redundante e, por mais imodéstia que exista na parte final do soneto 116, termino por parafrasear Ben Jonson, outro poeta elisabetano, ao concluir que o cara não foi do seu tempo, foi eterno.
Até a próxima.
Soneto #116
De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfanje não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.
Adoro isso aí. A propósito: quem tiver a oportunidade de ler parte dos 157 sonetos que formam a série shakespeariana, que o faça. Deguste o texto e sinta a melodia. Shakespeare é música. Qualquer coisa que disser sobre Shakespeare estarei sendo redundante e, por mais imodéstia que exista na parte final do soneto 116, termino por parafrasear Ben Jonson, outro poeta elisabetano, ao concluir que o cara não foi do seu tempo, foi eterno.
Até a próxima.
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