O objetivo é simples, embora audacioso: a tentativa de relatar, analisar, discutir, confrontar, criticar e respeitar tudo aquilo que permite admiração ou repulsa nos sons, nas telas, nos palcos e nos livros da vida.
domingo, 21 de dezembro de 2008
Speak English, Maria Elena!
Em seu novo filme “Vicky Cristina Barcelona”, Woody Allen mostra mais uma vez porque é um dos grandes gênios do cinema. E não é muito difícil compreender esta afirmação. Em três breves atos, posso explicar com certa facilidade, sem muito aprofundamento. 1o. ato: sua perspectiva é absolutamente pessoal, onde se percebe sua visão melancólica do mundo, com o extraordinário “toque de autor”. 2o. ato: seus personagens são “caixinhas de surpresa”, arapucas, capazes de tomar atitudes surpreendentes a qualquer momento. 3o. ato: um verdadeiro artista trabalha, quase sempre, com a simplicidade. Woody sabe tão bem disso que não inventa firulas, nem fica com baboseiras – sim, porque muita coisa boa, de tão utilizada, acabou virando bobagem – que hoje abundam as telas de cinema: enredos não lineares vertiginosos, entupidos de efeitos especiais; mocinhos galantes; beldades em apuros; invencionices high tech; vilões com roupas de grife e diálogos cool (alguém consegue me ajudar, traduzindo isso aí?). Suas tramas são perfeitamente compreensíveis e, por mais inusitadas que possam parecer, absolutamente verossímeis. Enredo e personagem tornam-se causa e efeito: encaixam-se maravilhosamente um no outro. Até os clichês vêm na medida. Sem falar que há sempre alguma mensagem a tirar de seus filmes. E sem lição de moral – coisa terrivelmente desagradável.
Desdobremos o pensamento: encontrar uma Vicky ou uma Cristina na exótica Barcelona seria o máximo! Aliás, nem é preciso ir tão longe. Aqui na prosaica BH City mesmo já seria estupendo! Uma Rebecca Hall atravessando a Rua Mármore deixaria qualquer marmanjo engasgado. Uma Scarlett Johansson cruzando a Praça de Santa Tereza desmaiaria muitos muchachos experientes, com larga quilometragem. E que tal uma Penélope Cruz? Paramos o bairro. Pronto: está resolvida a questão!
Entre mortos e feridos, só não dá pra encarar uma Maria Elena – a personagem de Penélope no filme de Mr. Allen. O espetacular Javier Bardem que o diga: mesmo pedindo à moçoila para falar inglês durante boa parte da película, Dona Maria Elena insiste no espanhol, em meio a tentativas de suicídio e assassinato. Vejam só: o final desta frase revela um caso clínico dos mais rentáveis, por supuesto.
Falemos agora de vencedores. Não que os personagens woodyanos não o sejam: há aqueles que se dão mal, é verdade, mas existem outros tantos vitoriosos. Tal e qual na vida, um e outro se definem por questões de caráter, de oportunidades e de escolhas. Em nosso caso, refiro-me tão somente aos ganhadores da promoção realizada em nossa simpática freguesia. Explico: na edição do mês passado, comprometi-me a divulgar os nomes vitoriosos dos presenteados com o CD da Banda Basset Quartet, num audacioso investimento desta coluna, destinado aos três primeiros que me enviassem agradável mensagem eletrônica. Aí vão eles: Sílvia Torres, Marisa Félix e Eduardo Faria. Parabéns e obrigadíssimo por acompanharem estas linhas.
Muito bem, pessoal: Gajan Kristnaskon a todos. Como assim, não entenderam? Tudo bem, vá lá: o termo significa “Feliz Natal” em Esperanto. Afinal, é disso que precisamos: felicidade, paz, saúde e esperança. O resto é conseqüência.
Até a próxima!
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