O objetivo é simples, embora audacioso: a tentativa de relatar, analisar, discutir, confrontar, criticar e respeitar tudo aquilo que permite admiração ou repulsa nos sons, nas telas, nos palcos e nos livros da vida.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
De volta ao Holocausto
Enquanto Israel varre do mapa a cidade de Gaza e seus arredores, numa guerra religiosa bestial contra o Hamas (aliás, qual guerra não é estúpida?), o tema “2ª Guerra Mundial” retorna com impacto às telas de cinema mundo afora. A guerra, inclusive, sempre foi um dos assuntos mais visitados pela Sétima Arte, sobretudo a bestialidade promovida pelo lunático ex-cabo de infantaria Adolf Hitler e seus aliados, na primeira metade do séc. XX. Obras de quilate diamântico sobre este lamentável momento histórico foram produzidas a rodo nestes 113 anos de atividade cinematográfica. Basta citarmos alguns petardos recentes: os espetaculares filmes gêmeos bivitelinos “A Conquista da Honra” e “Cartas de Iwo Jima”, do cada vez melhor Clint Eastwood, no alto de suas vigorosas 78 primaveras (fará 79 no dia 31 de maio, com a graça de Deus); o excelente “O Pianista”, do franco-polonês Roman Polanski; o impressionante “Stalingrado, a Batalha Final”, do alemão Joseph Vilsmaier; o instigante “Círculo de Fogo”, do cultuado Jean-Jacques Annaud; além de “A Lista de Schindler” e “O Resgate do Soldado Ryan”, ambos do célebre diretor norte-americano nascido em Cincinnati, Ohio, de nome Steven Spielberg.
Pois é. Tomando como base apenas estes títulos produzidos nas últimas duas décadas, podemos perceber o quanto a 2ª Guerra movimenta emoções, desejos e necessidades dos cineastas de calibre. O Holocausto nazista foi uma das mais terríveis passagens da história. Continuará gerando estudos e discussões durante décadas (talvez séculos), visando um objetivo primordial: que a magnitude do mal não se repita.
É certamente com este propósito que, pelo menos, três grandes produções andam circulando as salas de cinema mundiais, inclusive as tupiniquins. Uma delas interessa de perto o povo brazuca. Primeiro, pelo fato de o diretor ter nascido sob a bandeira verde amarela (xiii, e agora, com a extinção do hífen: é junto ou separado? Professor Pasquale, me ajude!); segundo, por este mesmo cidadão ter aprontado um belíssimo filme. “Um Homem Bom” (no título original: “Good”), dirigido por Vicente Amorim – filho do ministro Celso Amorim –, estrelado por Viggo “Aragorn” Mortensen e Jason Issacs, é daqueles filmes pungentes e esclarecedores, na medida em que revela que parte da sociedade alemã realmente não sabia das intenções diabólicas de Hitler. Até representantes da ala intelectual germânica desconheciam a existência dos campos de extermínio durante a guerra. Viggo está primoroso como o professor universitário que escreve um livro cujo personagem principal comete eutanásia. O livro cai nas mãos de ninguém menos que o próprio Führer, que o coloca na condição de obra exponencial da “nova sociedade ariana”, em 1937. Issacs, dando vida ao psicanalista judeu contrário às idéias ultranacionalistas que começavam a se expandir, comove.
Outros dois filmes em cartaz também não decepcionam. “O Menino do Pijama Listrado” (“The Boy in the Striped Pyjamas”), de Mark Herman, narra a amizade entre dois garotos: um judeu, prisioneiro de um campo de concentração, e um alemão, filho do comandante deste mesmo campo. Daí, imaginem vocês as consequências (sem trema)...
Já “Operação Valquíria” (“Valkyrie”), dirigido por Bryan Singer e estrelado por Tom Cruise, fala do real (e fracassado) atentado liderado pelo Cel. Claus Schenk Graf von Stauffenberg, visando matar o demônio Hitler, em 20 de julho de 1944. Deu errado, tanto na história quanto no filme. Uma pena... E salve os homens de boa vontade.
Até a próxima!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário