terça-feira, 18 de novembro de 2008

Fã é fã, até na tonga da mironga...


Na tentativa de fechar um show em Porto Alegre, para por lá tocar com minha banda, acabo conhecendo pelo telefone um tal gaúcho que se diz fã do Clube da Esquina. Obviamente, não poderia deixar de mencionar que escrevo mensalmente para o jornal do bairro onde surgiu o famoso “clube”, além de residir e trabalhar na mesma freguesia. Sujeito ficou maravilhado. Disse ter o disco no. 1, lançado em 1972, com aqueles dois guris na capa. Aliás, como não falar da capa? Provavelmente, das mais simples e, por isso, mais belas fotos de capa de disco que já vi. Antigamente (!), vinil na mão dava um prazer danado. Era objeto de desejo. Hoje, é tudo virtual. Basta a internet, o arquivo MP3, o download e os iPods da vida... Bem, bem, voltando ao cidadão dos pampas, acho que facilitamos as coisas. A conversa equalizou, por afinidade sonora. Muito breve estaremos tocando em POA, para nosso regozijo musical. Oxalá.

Longe de fazer propaganda – mas, ainda assim, já fazendo –, no final do texto comento sobre a banda, pois a história sulista não acaba aqui. Já repararam como gaúcho é bairrista? Pelo menos, meu novo amigo porto-alegrense é. Assim como também é o paulista, o carioca, o baiano, o colombiano, o venezuelano, o tonganês. Adoro explicações. Então, lá vai: tonganês é o nativo de Tonga, um arquipélago da Polinésia, formado por inúmeras ilhotas, com área total de 747 km² e população de 114.422 habitantes, segundo o levantamento mais recente. Povo de lá adora água de côco, carne de porco e, durante o dia, costuma andar de sarongue – um saiote colorido usado por ambos os sexos, que encobre a metade inferior do corpo. Pois é, algum dia, compro um desses... Pra dar de presente, é claro. Mais sobre Tonga: até hoje, o país é uma monarquia constitucional, sendo que sua população confia piamente em seu sistema de governo e em seu rei, que atende pelo simpático nome de Taufa’ahau Tupou V.

Deixando a tonga da mironga pra lá – com todo o respeito –, não posso deixar de citar que o belo-horizontino poderia ter um pouquinho mais de orgulho de sua cidade. E assim, valorizar seus “nativos”. Basta percebermos que, para ter notoriedade aqui, na maioria das vezes, sujeito tem que ganhar nome “lá fora” (leia-se Rio e São Paulo). Aí passa a ser admirado, em meio a estes nossos aclives e declives cobertos de bares. Sem falar no fato de que temos, artisticamente entre nós infiltrados, pesos pesados na música, no teatro, na dança, na literatura, nas artes plásticas, no audiovisual e etc e tal, de inegável relevância cultural para todo o continente brasilis.

Sobre a banda? Certo, falemos rapidamente: o grupo se chama “Basset Quartet”. Em agosto, lançamos um CD instrumental, com músicas de nossa autoria, originalmente compostas para o espetáculo teatral “Macbeth 0.8”, adaptado da tragédia “Macbeth”, de William Shakespeare. Querem ver como esta coluna não brinca em serviço? Pois bem: os três primeiros leitores que enviarem mensagem para o endereço eletrônico lá de cima receberão, com absoluta gratuidade, um exemplar do CD. Presentinho de Natal. No próximo mês, os premiados terão seus nomes divulgados nestas linhas. A coisa é séria: aqui não há falcatruas de qualquer natureza, pois acreditamos piamente na honestidade e em nosso sistema democrático constitucional. Tal e qual os tonganeses crêem em seu regime político, social e alimentar. Com ou sem sarongue.

Até a próxima!

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