O objetivo é simples, embora audacioso: a tentativa de relatar, analisar, discutir, confrontar, criticar e respeitar tudo aquilo que permite admiração ou repulsa nos sons, nas telas, nos palcos e nos livros da vida.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Chamem o Wall-E!
Fiquei estupefato quando soube que a maioria dos municípios mineiros (mais de 60%) despeja toneladas e toneladas de lixo a céu aberto, em intermináveis lixões. Nem é preciso ser douto no assunto para saber o mal isso acarreta. Bem a propósito, é deveras curioso como a gente ainda se espanta com aquilo que há tempos já conhecemos. Talvez a perplexidade venha exatamente disso: da constatação de que o tempo passa e pouco se muda. E olhem que estamos vivendo um momento histórico, em que o assunto mais reincidente é o tratamento que os seres humanos deram (e dão) ao planeta. Com o perdão do trocadilho, muita coisa boa vai para o lixo, enquanto a imundície moral permanece infiltrada em nosso cotidiano, entulhando os diversos setores da sociedade.
Por conta deste execrável tratamento milenar, que os seres conhecidos como inteligentes dispensam à nossa pequena bolota azul, o tema “fim do mundo” é coisa que preocupa às pampas. E é exatamente por incomodar tanto que vende à beça. Revistas, livros, músicas, peças de teatro, filmes e tudo o mais que pensadores inconformados com a realidade calham produzir. É bom que produzam. É bom que vendam. É bom que compremos. Seria excelente se algo de bom surgisse, deste ciclo produtivo. Que tal a simples consciência de que cada um deve fazer a sua parte?
Em “Wall-E”, 9º longa-metragem de animação da Pixar – que obteve estrondoso e merecido sucesso no ano passado –, o diretor Andrew Stanton (o mesmo de “Procurando Nemo”), discorre exatamente sobre o tema. Através do incansável trabalho do mais simpático robozinho da história do cinema, travamos contato com uma Terra futura, sem vegetação, devastada pelo lixo. Por conta disso, os seres humanos foram obrigados a abandonar o planeta, indo habitar o espaço. Após séculos de trabalho diário do solitário robozinho – que tem por missão a coleta, seleção e compressão do lixo –, cuja amizade reside apenas numa barata (aliás, baratas, que nadam de braçada nos lixões, poderiam também habitar a mente dos canalhas – o mais perfeito dos lixos), eis que nasce uma plantinha. Surge a esperança.
O nome do robozinho é abreviatura para “waste allocacion load lifter earth class”. No português, algo como “localizador e coletor de lixo classe terrestre”. Diga-se de passagem: existe lixo que não seja de classe terrestre? Existe porcaria que não seja feita exclusivamente por humanos? Só mesmo a pureza de um Wall-E pra dar conta de tanta sujeira...
Dia desses, fui ao cinema assistir a um troço cujo título é “Presságio” (“Knowing”). Dirigido por Alex Proyas e encabeçado por Nicolas Cage, a película fala do fim dos tempos. Apesar de tenebrosamente ruim, o que apresenta de diferente, em relação a outras histórias do gênero catástrofe, é que o mundo acaba mesmo. Não há mocinho ou beldade que o salve, pois tudo aqui reside na vontade do Sol, o astro-rei, o dono desta galáxia.
Interessante perceber que até mesmo obras absolutamente inclassificáveis podem proporcionar alguma reflexão. Somos tão pequeninos e, ainda assim, julgamo-nos tão donos de tudo. A Terra não é nossa; fazemos parte dela. Apenas isso. Sem consciência, respeito e atitude, as gerações futuras não verão coisa melhor que o mundo do nosso amiguinho coletor de lixo.
Até a próxima.
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vc e da escola livre de cinema?
ResponderExcluirpretendo estudar la daki alguns anos.
visite meu blog tambem é novo mais ainda vou escrever muito maishttp://pessoasquenaoexistem.blogspot.com/