sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Um ano centenário


No ano em que se reverencia o centenário do nascimento de João Guimarães Rosa e o centenário da morte de Joaquim Maria Machado de Assis, pergunte-me baixinho, daqui mesmo, destas montanhas de uma cidade pouco mais que centenária: e daí? Sim, e daí, sô? Nascia o Rosa em Cordisburgo, a 27 de junho de 1908; morria o Machadão no Rio de Janeiro, a 29 de setembro do mesmo ano. Dois dos maiores autores da língua portuguesa. É bom repetir: da língua portuguesa! Essa mesma língua, falada em toda terra brasilis, herdada de nossos patrícios e diariamente aviltada em falsos comícios... Esse governo que rege esse gigantesco país deveria se inspirar em datas como esta e tomar atitudes verdadeiramente sérias (e sábias) em prol de nossa educação. Se perguntarem por aí quem são estes dois gigantes da literatura, a grande maioria de nosso povo não saberá responder. “Passa o homem, eterniza-se sua obra”, como já dizia o filósofo. Nós, o povo, precisamos aprender, conhecer, evoluir.

Vários eventos têm marcado este ano centenário. No mês de junho, no Rio de Janeiro, participei com um curta-metragem da mostra “Memórias Cinematográficas de Machado de Assis”. O filme “A Cartomante”, por mim dirigido e adaptado do conto homônimo do Machadão, fala de algo terrivelmente antigo: um triângulo amoroso com final trágico. A tragédia, aliás, faz parte de nosso cotidiano. Basta abrirmos os jornais.

Já que falamos em cinema, no dia 28 de setembro, completam-se 113 anos da primeira projeção pública do cinematógrafo. De nome estranho, o cinematógrafo era, ao mesmo tempo, uma máquina de filmar e um projetor de cinema. Foi inventado em 1892, por Léon Bouly. Mas, ao que parece, o sujeito acabou perdendo a patente de sua criação, posteriormente registrada por Auguste e Louis Lumière. Coisas da vida... Por esta e outras razões, os Irmãos Lumière são considerados os fundadores da Sétima Arte.

A projeção cinematográfica inaugural aconteceu na primeira sala de cinema do mundo, o “Eden”, situada em “La Ciotat”, no sudeste da França. Imaginem a sensação daqueles que, pela primeira vez, viram imagens em movimento, projetadas numa tela. Segundo dizem, muita gente saiu correndo, desembestada. Algo certamente assustador.


Desde então, o cinema fascina, ensina, comove, promove, discute e embute em cada um de nós um pouco daquilo a que podemos chamar de “a grande experiência humana”. Ou simplesmente: a vida.

Até a próxima!

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